Uma cidade praticamente livre de interrupções no fornecimento de energia. Esse é o conceito por trás de um projeto pioneiro de microrrede implantado pela Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) em Serra da Saudade (MG), o menor munícipio do país, com cerca de 800 habitantes.
Com investimento de R$ 7 milhões, a distribuidora apostou na combinação de geração solar fotovoltaica com um sistema de armazenamento de energia por baterias. A solução forma uma microrrede capaz de atender integralmente a demanda elétrica da cidade por até 48 horas em caso de falha na rede de distribuição convencional.
O sistema é sustentado por uma usina solar de 500 kWp, composta por mais de 800 módulos fotovoltaicos, com geração média mensal de 67.439,30 kWh – volume suficiente para suprir o consumo local. A planta conta ainda com quatro inversores, totalizando 400 kW de potência, além de um sistema de armazenamento formado por oito racks de baterias, com capacidade de 500 kVA / 2.500 kWh.
Segundo a distribuidora, a iniciativa inaugura um novo capítulo para o setor elétrico brasileiro ao introduzir uma solução tecnológica capaz de reduzir quase a zero as ocorrências de falta de energia, além de garantir autonomia no atendimento da localidade em situações de contingência.
A escolha pela microrrede foi definida após uma análise técnica e econômica que comparou essa alternativa com soluções tradicionais, como reforços de rede ou a construção de novos alimentadores para viabilizar uma dupla alimentação, opções consideradas mais caras e demoradas.
“Serra da Saudade foi selecionada a partir de um estudo detalhado de viabilidade, que mostrou ser a microrrede a melhor solução para garantir segurança, reduzir interrupções e assegurar a resiliência do fornecimento. Em vez de uma obra cara e demorada, trouxemos uma alternativa técnica de rápida implantação e altamente eficiente para a população”, declarou o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho.
Antes da implantação da microrrede, as quedas de energia eram frequentes e chegaram a causar prejuízos à população, como a perda de vacinas e medicamentos no posto de saúde local. Desde a entrada em operação do sistema, em outubro do ano passado, essas ocorrências deixaram de ser registradas.
Além da Cemig, o projeto teve a participação da Enerzee e da WEG. “Serra da Saudade passa a ser, na prática, um município à prova de apagões. Mesmo que a rede convencional falhe, a cidade terá mais de 48 horas de energia garantida pelas baterias, tempo suficiente para que o sistema seja restabelecido sem deixar a população no escuro”, afirmou Alexandre Sperafico, CEO e fundador da Enerzee.
Além da geração e do armazenamento de energia, o projeto incluiu a instalação de medidores inteligentes em residências e imóveis comerciais, ampliando a automação da rede e viabilizando iniciativas de eficiência energética. O sistema de baterias está integrado ao centro de operações da companhia, responsável pelo monitoramento contínuo do desempenho da microrrede e pela avaliação dos resultados para possível expansão do modelo.
A Cemig já estuda replicar a solução em outras localidades de Minas Gerais com características semelhantes, especialmente em regiões de topografia complexa e redes extensas, onde alternativas convencionais podem ultrapassar R$ 30 milhões em custos.
“O que estamos entregando em Serra da Saudade é um exemplo de como a engenharia pode evoluir para responder às necessidades da população com inovação, sustentabilidade e eficiência. Essa microrrede inaugura uma nova fronteira para a distribuição de energia no Brasil e nos dá confiança para avaliar sua aplicação em outras regiões da nossa concessão”, ressaltou o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Marney Antunes.
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