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Mercado fotovoltaico: perspectivas e projeções de importação de módulos para 2022

Mercado FV no Brasil cresceu acima das expectativas e projeções de expansão da micro e minigeração distribuída se mantêm elevadas

Autor: 3 de janeiro de 2022Opinião
Mercado fotovoltaico: perspectivas e projeções de importação de módulos para 2022

O mercado solar no Brasil cresceu acima das expectativas e projeções em 2021. Foto: Aldo Solar/Reprodução

O ano de 2021 se encerra apresentando o paradoxo da retomada econômica e da disruptura das cadeias de abastecimento globais, ainda sem uma definição dos aprendizados e ações necessárias para os próximos ciclos.

Os impactos dos efeitos da pandemia foram sentidos em diferentes patamares em cada região. As diferenças nos ritmos de contaminação, nas restrições e na vacinação determinaram variações nas retomadas das atividades de abertura em cada país, gerando sinais de aquecimento da demanda e da retomada da produção em diferentes níveis.

A China foi o primeiro país a sofrer os impactos da pandemia, implantando restrições que ocasionaram o fechamento de fábricas e limitações da atividade econômica. Da mesma forma, foi um dos primeiros países a retomar as atividades produtivas, enquanto os demais continentes ainda enfrentavam os efeitos do primeiro e do segundo ciclos de contaminação e suas implicações.

Quando as fábricas na China tentaram retomar a produção, encontraram um cenário de disruptura das cadeias produtivas, resultante do aumento das demandas globais, das restrições da retomada parcial da fabricação e do desalinhamento das cadeias de componentes. 

Estas cadeias não estavam preparadas para fornecimento de insumos e componentes necessários para fabricação de produtos acabados, em um volume que não havia sido planejado. 

Um exemplo clássico de uma das principais cadeias de componentes que se romperam está na indústria de semicondutores, responsável pelo fornecimento de circuitos integrados (“chips”) para quase todos os segmentos da indústria de bens de consumo.

A demanda por espaço em navios cargueiros, a indisponibilidade de contêineres e as restrições nas atividades portuárias dos centros exportadores e importadores também agravaram a recuperação do comércio internacional, gerando custos e prazos adicionais para que os bens manufaturados na Ásia chegassem aos mercados consumidores.

Com o aumento das demandas de energia no país e dos custos globais, o governo da China foi obrigado a autorizar a reabertura de usinas de geração que utilizam carvão, que haviam sido desligadas para atendimento das metas de redução de carbono com que o país havia se comprometido.

Os próximos meses devem determinar a extensão destas restrições e os demais impactos, dependendo da severidade do inverno no hemisfério norte a partir de dezembro. Caso o inverno apresente condições climáticas e temperaturas muito baixas, a demanda de energia para aquecimento de residências se manterá elevada e as indústrias deverão enfrentar maiores restrições na atividade fabril.

A decisão do governo da China em limitar o uso de energia pelas indústrias pode impactar todos os segmentos dependentes de componentes, bens semimanufaturados e produtos acabados em escala mundial. Atividades produtivas que demandam alto consumo de energia podem ser as mais comprometidas.

Em complemento, as políticas de tolerância zero aos sinais de novos focos de contaminação da Covid-19, com restrições das atividades em fábricas e portos, geram mais incertezas da continuidade da retomada da capacidade produtiva, sinalizando que ainda não existem condições plenas para estabilização no curto prazo.

Como o Ano Novo Chinês será no início de fevereiro de 2022, a possibilidade de retomada mais ampla das atividades vai ocorrer antes do fim do inverno, mas os efeitos dos impactos nas cadeias de abastecimento devem ser sentidos até março de 2022, quando poderemos avaliar as condições de recuperação e demais estimativas para restabelecimento da capacidade produtiva na China.

O mercado solar fotovoltaico no Brasil em 2022

Apesar de todos os desafios, em 2021 o mercado solar fotovoltaico no Brasil continuou a crescer acima das expectativas e projeções, com demandas acima da disponibilidade de produtos. 

A crise hídrica, as inseguranças na garantia do fornecimento de energia e as altas nos preços e nas bandeiras tarifárias motivaram consumidores de todos os setores a buscar opções em novas fontes de geração, com a massiva popularização da energia solar fotovoltaica.

As expectativas de expansão da micro e minigeração distribuída se mantêm elevadas. A geração distribuída deve ultrapassar a potência acumulada de 11 GW projetada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) para a fonte solar fotovoltaica em 2022.

Embora sejam relevantes, os principais elementos de restrição a este crescimento não estarão associados aos preços dos módulos e componentes, custos de frete, volatilidade das taxas de câmbio ou pelas incertezas políticas em um ano eleitoral.

Em 2022, a maior limitação para suportar a continuidade e ampliação do uso da fonte solar fotovoltaica se dará pela disponibilidade de produtos, sendo o principal desafio para controle das importações e do fornecimento de módulos solares para o mercado brasileiro.

A instabilidade nas cadeias de fornecimento e seus componentes deve se manter durante o primeiro semestre de 2022, sendo imprescindível o monitoramento de toda a cadeia produtiva para os módulos solares fotovoltaicos.

Se por um lado tivemos anúncio de investimento no aumento da capacidade produtiva na China, a implementação de fábricas em outras regiões no mundo como Europa e EUA está em avaliação por diversos fabricantes, em função da dependência atual do mercado solar em fornecedores da China e sudeste asiático.

A diversificação da produção regionalizada só terá efeito prático se todas as cadeias de suprimento associadas também se estabelecerem fora da China: células, vidros, encapsulantes.

As estimativas de produção e estoques para os insumos e componentes de módulos solares sinalizaram acomodações e algumas reduções de preços nesta semana, mas ainda de forma preliminar e sem indicar uma tendência sólida para os próximos meses.

Na última semana, os preços de polisilício se mantiveram estáveis e, apesar das demandas, não foram anunciados aumentos na capacidade fabril instalada, com ocupação quase integral até o final do ano. Alguns fabricantes de wafers anunciaram reduções de preço depois de um mês sem alterações, como resultado do aumento de eficiência operacional e maior produtividade das fábricas.

Como resultado, o mercado tem acompanhado e promovido ajustes nos preços FOB dos módulos, ainda com ressalvas e na expectativa de definição de tendências de médio prazo.

A padronização no tamanho dos módulos pode contribuir para a simplificação e redução de custos nas cadeias de fabricação dos wafers e das células, sendo necessário que a indústria adote os padrões nas etapas de fabricação destes componentes.

No mercado local da China, a demanda por células policristalinas e monocristalinas com dimensões até 166 mm (M3 e M6) apresenta sinais de desaquecimento, sinalizando oportunidades para mercados importadores. Já a demanda por células monocristalinas de 200 mm (M10) se mantém elevada, com pleno uso da capacidade instalada dos fabricantes e tendência de manutenção e/ou aumento de preços.

Por fim, em 2022 devemos observar a popularização das novas tecnologias de módulos solares, com crescimento da aplicação de células TopCon Tipo N e HJT (Heterojunção), com maior eficiência e menor efeito de degradação.

Os preços das novas tecnologias ainda não são comparáveis aos patamares das células mono e mono PERC, mas a evolução dos processos de fabricação e o aumento da escala de produção devem reduzir as diferenças no segundo semestre do ano, tornando essas tecnologias opções relevantes para fornecimento em 2022.

 

As opiniões e informações apresentadas são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião do Canal Solar.

Wladimir Janousek

Wladimir Janousek

Diretor-executivo da JCS Consultoria e Serviços.

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