O volume negociado em contratos de longo prazo e de autoprodução solar e eólica no Mercado Livre de Energia atingiu um recorde em 2025, consolidando uma nova fase de maturidade e sofisticação no ACL (Ambiente de Contratação Livre).
A conclusão é de um relatório da consultoria CELA (Clean Energy Latin America), que contabilizou 40 contratos firmados ao longo do ano no Brasil, totalizando 1.2 GW médios negociados e 4,2 GW de capacidade instalada nos empreendimentos.
O resultado representa um avanço de 83% em relação a 2024, quando foram registrados 659 MW médios contratados em 31 acordos, com 2,3 GW de capacidade instalada.
Na série histórica, o levantamento mapeia 214 contratos ao longo de uma década, equivalentes a 6,04 GW médios de energia negociada e 21,8 GW de capacidade instalada associada. No período, o volume financeiro movimentado alcança cerca de R$ 88,8 bilhões.
De acordo com a CELA, o principal movimento estrutural dos últimos anos foi a consolidação da autoprodução de energia como modelo dominante no ACL.
A modalidade já representa 62% do volume histórico analisado e respondeu por 100% da energia comercializada no último ciclo da amostra, indicando a transição de modelos tradicionais de PPAs para estruturas mais sofisticadas e customizadas.
Do lado da demanda, o estudo aponta a consolidação de novos vetores de consumo. Data centers já figuram entre os principais offtakers, reforçando o protagonismo de cargas mais intensivas e tecnicamente exigentes no crescimento do mercado livre.
Outro destaque é o avanço da sofisticação contratual. Em 2025, 41% da energia comercializada foi negociada em dólares, refletindo a convivência entre contratos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e estruturas mais complexas atreladas à moeda estrangeira.
Para Camila Ramos, CEO da CELA, os dados mostram que o ACL deixou de competir apenas em preço e passou a se diferenciar pela capacidade de estruturar soluções aderentes às demandas dos consumidores.
“O ACL amadureceu muito nos últimos anos. A grande mudança não foi apenas o crescimento no número de contratos, mas a transformação do próprio produto negociado. A autoprodução se consolidou como padrão competitivo, a demanda se sofisticou e temas como perfil de entrega, risco operacional, curtailment, moeda e estrutura passaram a ocupar o centro das negociações”, afirma.
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