O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) avaliou de forma positiva o comportamento do SIN (Sistema Interligado Nacional) durante a virada de 2025 para 2026, período que vinha sendo acompanhado com atenção pelo setor elétrico.
Em posicionamento divulgado após questionamento do Canal Solar, o operador explicou que o risco de apagões associado à expectativa de baixo consumo diante de um cenário de excedente de oferta acabou sendo, em certa medida, contornado pelo aumento da demanda provocado pelas altas temperaturas registradas no período.
As projeções iniciais do mercado para o fim de ano indicavam um consumo reduzido, típico do recesso entre o Natal e o início de janeiro, ao mesmo tempo em que o sistema viria a enfrentar elevada disponibilidade de geração, sobretudo de fontes renováveis intermitentes.
Esse descompasso vinha sendo apontado como um fator de risco operacional, uma vez que níveis muito baixos de carga podem dificultar o equilíbrio entre geração e consumo e exigir intervenções mais frequentes do operador.
Ação coordenada
O comportamento efetivo da demanda, no entanto, foi diferente do esperado. As temperaturas acima da média em diversas regiões do país impulsionaram o uso de aparelhos de ar-condicionado, elevando o consumo de energia elétrica.
Esse aumento ajudou a absorver parte relevante da oferta disponível, contribuindo para a estabilidade do sistema ao longo da virada do ano.
Os impactos das ondas de calor no setor elétrico e a geração de energia solar
Segundo o operador, a atuação coordenada do despacho das usinas, aliada ao monitoramento contínuo das condições de carga e geração, foi determinante e permitiu atravessar esse período crítico
O episódio reforçou a importância de considerar fatores climáticos relevantes não apenas como risco para a infraestrutura, mas também como variáveis capazes de alterar significativamente o perfil de consumo.
Flexibilidade
Apesar do resultado positivo no fim de ano, o ONS reconhece que o episódio não elimina o desafio estrutural enfrentado pelo setor elétrico brasileiro. A rápida expansão de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, tem ampliado os períodos de excedente de oferta em determinados horários e regiões, exigindo cada vez mais flexibilidade na operação do SIN.
O controle desse equilíbrio delicado entre oferta e demanda deverá permanecer como um dos principais desafios do operador nos próximos anos. Até que os leilões de transmissão programados pelo governo resultem em reforços efetivos na malha de linhas, parte da energia gerada continuará concentrada em regiões com menor capacidade de escoamento.
A isso se soma a necessidade de incorporar novas soluções, como sistemas de armazenamento de energia, resposta da demanda e outros aprimoramentos tecnológicos capazes de dar mais elasticidade ao sistema.
O operador segue atento à combinação entre crescimento das renováveis, variabilidade climática e expansão da infraestrutura, elementos que definirão a capacidade do SIN de operar com segurança em um ambiente de transição energética acelerada.
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