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Início / Notícias / Os impactos das ondas de calor no setor elétrico e a geração de energia solar

Os impactos das ondas de calor no setor elétrico e a geração de energia solar

A geração distribuída surge como um mecanismo para evitar risco de apagões
Acompanhe pelo Whatsapp
  • Foto de Renato Zimmermann Renato Zimmermann
  • 28 de fevereiro de 2025, às 14:38
4 min 51 seg de leitura
Os riscos com as ondas de calor e a energia solar
Foto: Freepik

Ondas de calor atípicas estão afetando todo o território brasileiro. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são as mais impactadas. O Sul já contabiliza nos primeiros dois meses do ano, quatro fortes ondas de calor com temperaturas que ultrapassam os 40 graus celsius e com períodos de duração muito maiores do que as registradas em outros anos.

Segundo mapas da Climatempo, empresa de gestão de informações metereológicas, teremos um carnaval sob forte calor e as temperaturas alcançarão 5 graus acima da média histórica para este período do ano.

Enquanto que o Norte está no início do “inverno amazônico” período marcado por muitas chuvas que mesmo sendo abundantes, ainda registra picos de forte calor. E o Nordeste vem experimentando chuvas abaixo da média em muitas regiões, o que também acaba elevando as temperaturas.

Diante desse cenário de temperaturas anômalas ocorrendo com maior frequência e por períodos mais longos, o Setor Elétrico Brasileiro (SEB) enfrenta um grande desafio para garantir a geração e transmissão eficientes de energia. O ONS (Operador Nacional do Sistema), principal responsável pela operação do SEB, tem o papel crucial de otimizar a distribuição e assegurar que a eletricidade chegue de forma adequada aos grandes centros populacionais.

A principal função do ONS é garantir uma operação segura e eficiente do sistema elétrico, mesmo diante dessas variações climáticas cada vez mais intensas.

Nos últimos anos, um novo protagonista ganhou destaque no setor elétrico: a GD (geração distribuída). Pequenos geradores, em sua maioria equipados com placas fotovoltaicas instaladas em telhados, estacionamentos e áreas próximas às cidades, produzem energia para consumo instantâneo no próprio local.

Além disso, seguindo uma legislação específica, o excedente gerado pode ser injetado na rede elétrica pública, que é administrada por diversas concessionárias regionais de energia.

Esta geração na modalidade GD é excelente não apenas para o SEB mas também para toda a sociedade brasileira. Em momentos onde uma determinada região enfrenta ondas de calor insuportáveis, o aumento do uso de aparelho de refrigeração eleva o consumo de eletricidade e aumenta o risco de apagões.

O ONS já registrou cinco recordes históricos de despacho de energia nestes dois primeiros meses do ano, não por  coincidência, estes recordes ocorreram no mesmo momento temperatura/despacho SIN (Sistema Interligado Nacional).

O calor vem acompanhado de muito sol e, nestes momentos, a energia solar está gerando o seu pico de energia. Isto traz um alívio para as linhas de transmissão e para as subestações de energia.

Esta dinâmica é nova, caracterizando um novo fenômeno no SEB. A energia da geração distribuída não é computada no despacho do SIN. Então, os recordes de consumo de energia divulgados pela ONS são ainda maiores se forem somadas a estes, o volume de geração junto ao consumo, no caso a geração distribuída.

Antes do boom da geração distribuída iniciada em 2020, os alimentadores e subestações elétricas sofriam um stress maior. A necessidade de despachar mais potência de longas distâncias em cabos de transmissão era um desafio muito maior. Então, os riscos para o sistema eram maiores.

Após um dia de sol intenso e calor, o sistema quase exaurido, precisava ainda ter condições para suportar todo o pico de consumo do final do dia e início da noite, o chamado horário de ponta.

Qualquer problema em um dos sistemas de segurança elétrica poderia derrubar a alimentação e gerar um apagão em cadeia. Evento assim aconteceu no Chile no final de fevereiro levando a deixar 99% do país sem energia, gerando caos com pessoas presas em elevadores, metrô parado, fechamento de bancos e suspensão de vôos.

Toda a economia chilena está sendo afetada por este inesperado apagão originado em uma falha do sistema. Ainda estão sendo investigadas as causas. Um detalhe é que a  geração distribuída no Chile não é tão incentivada como no Brasil.

Mais um ponto favorável, se não tivéssemos uma lei federal e uma regulamentação que promovessem um forte crescimento deste modelo de geração de energia, bem provável o Brasil teria esta experiência de apagão similar ou até pior que a do Chile.

Os benefícios da geração distribuída para o SEB são inúmeros. Os cabos superaquecidos promovem a dispersão da energia que acaba sendo cobrada na conta de energia elétrica de todos os brasileiros como um componente tarifário chamado de “perdas técnicas”.

Com a energia gerada dentro dos grandes centros de consumo e aliviando as subestações e os cabos de transmissão, estas perdas são menores. O aquecimento dos alimentadores ainda pode provocar incêndios e acidentes que levariam também a um risco elevado de colapso em cadeia do SIN. Até restabelecer o sistema, o caos está instalado e os prejuízos são incalculáveis.

O desenvolvimento da geração distribuída foi o ponto principal da modernização do SEB e essa diversidade energética trouxe novos ingredientes para avaliação sendo que um dos pontos principais será a necessidade de repensar a rede elétrica para que as novas tecnologias se desenvolvam e assim promovam uma maior segurança energética no fornecimento e também resultem em cobrança de tarifas de energias mais acessíveis.

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energia solar ondas de calor ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico)
Foto de Renato Zimmermann
Renato Zimmermann
Mentor, Palestrante e Ativista em Sustentabilidade. Membro do INEL Instituto Nacional de Energia Limpa.
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Uma resposta

  1. Fabrício B. Aguirre disse:
    4 de março de 2025 às 00:58

    Faço um esclarecimento. Desde 29/04/2023 a GD solar é computada no despacho do SIN.

    Reply

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