O MME (Ministério de Minas e Energia) lançou nesta semana o “Book de Empreendimentos Minas e Energia 2026”, um levantamento com mais de 70 páginas que mapeia os principais investimentos previstos e em andamento nos setores energético e mineral no país.
De acordo com o documento, o Brasil possui R$ 1,2 trilhão em projetos já em execução ou em fase avançada até 2032, com potencial de gerar cerca de 2,9 milhões de empregos diretos e indiretos.
O estudo indica ainda que esse volume pode crescer significativamente no médio e longo prazo. Com base nas projeções do PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia), os investimentos totais podem alcançar R$ 4 trilhões até 2035.
O montante inclui projetos de geração e transmissão de energia elétrica, petróleo e gás, combustíveis de baixo carbono, hidrogênio, eficiência energética e exploração mineral, que são áreas consideradas estratégicas para a segurança energética nacional.

Petróleo e gás
Apesar do avanço das fontes renováveis, o setor de petróleo e gás ainda concentra a maior parcela dos recursos previstos. Segundo o documento, os investimentos nesse segmento somam cerca de R$ 432 bilhões, com potencial de gerar aproximadamente 2 milhões de empregos.
A maior parte dos aportes está direcionada ao desenvolvimento e produção de campo (especialmente no pré-sal) além da expansão da infraestrutura de transporte, refino e oferta de gás natural.
Entre os projetos estratégicos listados estão o desenvolvimento de campos offshore, ampliação da malha de gasodutos, estações de compressão, integração logística do pré-sal e iniciativas voltadas à segurança energética regional.
Um exemplo destacado é o projeto Raia, na Bacia de Campos, que pode suprir até 15% da demanda nacional de gás natural quando entrar em operação. O MME enfatiza que o gás natural deverá atuar como “combustível de transição”, oferecendo flexibilidade ao sistema em meio à expansão das fontes renováveis intermitentes.
Combustíveis sustentáveis
Outro eixo estratégico do levantamento é o avanço dos combustíveis de baixo carbono e do hidrogênio verde. O book aponta investimentos de aproximadamente R$ 89 bilhões, com potencial de geração de cerca de 150 mil empregos.
Entre as principais frentes estão a produção de SAF (combustível sustentável de aviação), diesel verde, etanol de segunda geração, captura e armazenamento de carbono, além de hidrogênio de baixo carbono e amônia verde.
Projetos emblemáticos incluem biorrefinarias no Nordeste, plantas de hidrogênio no Ceará e iniciativas de e-metanol em Pernambuco, muitas delas voltadas à exportação e à descarbonização da indústria pesada.
O documento destaca que estados nordestinos vêm se consolidando como hubs energéticos globais graças à combinação de vento, sol, biomassa e infraestrutura portuária.
Geração elétrica com forte participação renovável
No segmento de geração elétrica, o book identifica cerca de R$ 48 bilhões em investimentos, com previsão de criação de quase 378 mil empregos e expansão superior a 12 GW de capacidade instalada.
A matriz em expansão inclui usinas solares, parques eólicos, termelétricas a gás, biomassa e pequenas hidrelétricas. Projetos solares e eólicos aparecem com destaque pela competitividade e baixo impacto ambiental.
O complexo fotovoltaico Lins, por exemplo, em São Gonçalo do Amarante (CE), deverá adicionar centenas de megawatts ao sistema nacional. Ainda assim, termelétricas continuam sendo consideradas necessárias para garantir potência firme e segurança de suprimento.
Transmissão e infraestrutura para escoar a energia
A expansão da geração exige uma rede robusta de transmissão. O setor reúne investimentos de aproximadamente R$ 86 bilhões, com previsão de criação de mais de 173 mil empregos e construção de cerca de 26,6 mil quilômetros de linhas.
Esses projetos são fundamentais para integrar regiões produtoras de energia renovável, reduzir gargalos de escoamento, aumentar a confiabilidade do sistema e viabilizar a expansão tanto da geração centralizada quanto da distribuída.
Um exemplo citado é a ampliação de linhas em Minas Gerais para eliminar restrições ao escoamento da energia solar no Norte do estado.
Distribuição de energia
O levantamento também destaca os investimentos previstos no segmento de distribuição de energia elétrica. Ao todo, estão projetados cerca de R$ 236 bilhões no período analisado, destinados à expansão da infraestrutura, melhoria da qualidade do serviço e incorporação de tecnologias digitais.
Os recursos deverão financiar a ampliação de redes urbanas e rurais, substituição de equipamentos, redução de perdas técnicas e comerciais, além da implantação de soluções como medição inteligente, automação e digitalização dos sistemas.
Eficiência energética
O levantamento também inclui investimentos em eficiência energética, com foco em programas públicos como o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica).
Embora representem valores menores (cerca de R$ 414 milhões), essas iniciativas têm alto impacto sistêmico, ao reduzir a necessidade de novos investimentos em geração e infraestrutura.
Os recursos são destinados à modernização da iluminação pública, edificações eficientes, projetos industriais, saneamento e programas de educação energética, contribuindo para redução do consumo e das emissões.
Data centers
O book destaca ainda o avanço dos data centers como um dos principais vetores de crescimento do consumo de eletricidade no país. A demanda projetada ultrapassa 28 GW até 2038, distribuída em 66 projetos.
Esses projetos estão localizados, segundo o estudo, em dez unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Goiás e Distrito Federal.
A expansão da computação em nuvem, da IA (Inteligência Artificial) e dos serviços digitais vem impulsionando projetos de grande porte, que exigem fornecimento contínuo, confiável e competitivo de energia.
Segundo o MME, o Brasil possui vantagens estratégicas para atrair esses empreendimentos, como matriz elétrica majoritariamente renovável, disponibilidade de território e potencial de integração com projetos de geração dedicados.
Mineração
Além do setor energético, o levantamento inclui projetos relevantes de mineração, com projeção de mais de 245 bilhões e a geração de 48 mil empregos, especialmente voltados a minerais críticos essenciais para a economia de baixo carbono.
Entre eles estão lítio, cobre, níquel, terras raras e outros insumos fundamentais para baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e infraestrutura de energia renovável.
Segundo o MME, os investimentos nesse segmento visam ampliar a produção nacional, agregar valor à cadeia mineral e posicionar o Brasil como fornecedor global de matérias-primas estratégicas.
Confira o estudo completo do MME, clicando aqui.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.