O Brasil lidera o ranking mundial de incidência de raios, com cerca de 78 milhões de descargas elétricas por ano, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Esse cenário tem motivado empresas e especialistas a reforçarem medidas de proteção em sistemas fotovoltaicos, especialmente em grandes usinas.
Uma das soluções mais eficientes são os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos), que desviam as correntes de impulso causadas por descargas atmosféricas ou surtos de comutação, prevenindo danos a inversores, módulos e demais equipamentos.
Estudos recentes da Universidade de Pernambuco, em parceria com a CLAMPER, mostram que o uso de DPS em sistemas fotovoltaicos consegue desviar mais de 93% da energia do surto no lado de corrente contínua e mais de 99% no lado de corrente alternada.
Inversores sem DPS suportaram menos de oito pulsos de classe II, enquanto os protegidos resistiram a mais de 100 pulsos, aumentando significativamente sua vida útil.
Além da instalação de DPS, a proteção das usinas pode incluir SPDA (sistemas de proteção contra descargas atmosféricas) e MPS (medidas de proteção de surtos), de acordo com a análise de riscos seguindo normas técnicas como ABNT NBR 5419:2015 e ABNT NBR 16785:2019.
Esses sistemas reduzem riscos à vida humana, interrupções no fornecimento de energia e prejuízos econômicos.
Descargas atmosféricas podem induzir tensões e correntes até 2 km de distância, tornando áreas extensas das usinas vulneráveis.
Por isso, recomenda-se o uso de captores de raios, blindagem de estruturas metálicas, aterramento adequado e sistemas de alerta para retirada de funcionários durante tempestades, conforme resultado da análise de risco realizada para cada instalação.
Análise técnica
Especialistas reforçam que a proteção completa de uma usina fotovoltaica depende do planejamento de todo o sistema, incluindo módulos, cabos, aterramento e dispositivos de proteção, não se limitando apenas à instalação de DPS.
Com o crescimento do setor solar, essas medidas se tornam essenciais para preservar equipamentos, garantir a continuidade do fornecimento e reduzir perdas financeiras. Segundo a analista de Engenharia Plena da CS Consultoria, Lais Andrade:
“A não utilização das medidas adequadas de proteção contra descargas atmosféricas pode causar prejuízos financeiros, principalmente nos equipamentos mais expostos e sensíveis, como as câmeras de CFTV. Nestes casos, para mitigar a queima constante de tais equipamentos, recomenda-se a adoção de uma fonte de alimentação isolada da rede e da usina, como um sistema com baterias e alguns módulos fotovoltaicos específicos para o CFTV.”
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