A ARaymond, em parceria com o Grupo Ener, anunciou o lançamento de uma solução de estruturas para usinas fotovoltaicas flutuantes no Brasil, com capacidade produtiva de até 1 MWp por semana. Um dos principais diferenciais da proposta é o modelo de produção baseado em uma minifábrica móvel, instalada diretamente no local do projeto.
A estrutura utiliza dois contêineres posicionados às margens do reservatório, onde são realizadas etapas como fabricação dos flutuadores, fixação dos perfis estruturais e montagem inicial dos módulos. Após essa etapa, os conjuntos são lançados na água, formando a base da usina.
Esse modelo, segundo as empresas, elimina a necessidade de transporte de grandes volumes, um dos principais fatores de aumento de custos em projetos flutuantes, e também reduz o impacto logístico no CAPEX.
A tecnologia chega ao mercado com foco na expansão do uso de superfícies hídricas para geração de energia solar, especialmente em reservatórios de usinas hidrelétricas voltados ao agronegócio.
A proposta está inserida em um ambiente regulatório já consolidado no país: a Resolução Normativa nº 1.000/2021, da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), que estabelece as regras para o serviço de distribuição de energia elétrica, incluindo critérios de conexão, compensação e uso da rede no âmbito da GD (geração distribuída).
-
Foto: ARaymond/Divulgação
Estrutura em alumínio e catamarã patenteado
Do ponto de vista técnico, a solução substitui os flutuadores plásticos convencionais por uma estrutura em alumínio naval, material que oferece maior resistência mecânica, durabilidade e estabilidade ao longo do tempo, além de ser não inflamável, resistente à radiação UV e 100% reciclável.
O sistema adota flutuadores em formato de catamarã com tecnologia patenteada, contribuindo para maior estabilidade da planta e melhor distribuição de carga na lâmina d’água. O desenho estrutural também amplia a modularidade, permitindo adaptação a diferentes configurações de projeto.
Outro diferencial está na inclinação dos módulos. Enquanto o padrão de mercado para sistemas flutuantes varia entre 8° e 10°, a solução permite instalação com até 15°, aumentando a captação de irradiância e, consequentemente, a geração de energia.
A solução utiliza menor quantidade de material em comparação aos sistemas tradicionais de plástico, mantendo desempenho estrutural e operacional. Segundo as empresas, o custo se mantém compatível com tecnologias disponíveis no mercado, com ganhos adicionais em eficiência, logística e operação.
Operação e manutenção simplificadas
No campo operacional, a estrutura foi projetada para facilitar as atividades de operação e manutenção. O acesso aos módulos pode ser feito por ambos os lados, reduzindo o tempo de intervenção e minimizando impactos na geração.
O sistema incorpora uma passarela técnica com eletrocalhas embutidas, responsável pela organização dos cabos e integração dos equipamentos elétricos. Esse layout permite a instalação dos inversores próximos às strings e garante acesso direto aos conectores dos módulos.
Outro ponto é o uso de embarcações leves para manutenção, facilitando o deslocamento dentro da usina e reduzindo custos operacionais ao longo do tempo.
Aplicações e desempenho internacional
A solução foi desenvolvida para atender demandas tanto do setor elétrico quanto do agronegócio, incluindo aplicações como geração para sistemas de irrigação e aproveitamento de áreas hídricas ociosas.
Projetos internacionais já validaram o desempenho da tecnologia. Em usinas implantadas em países europeus, foram registrados incrementos de 5% a 7% na geração energética, acompanhados por redução dos custos de operação e manutenção.
Assista ao vídeo completo e confira os detalhes:
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.
