ANEEL debate os desafios regulatórios do armazenamento de energia

Tecnologia pode ajudar a evitar custos com a expansão da geração e da transmissão, além de melhorar a forma de operação da rede elétrica
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Agência pretende abrir consulta pública para discutir o tema ainda neste ano. Foto: Divulgação/ANEEL

A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizará na próxima quarta-feira (14/6), das 10h às 12h, um webinar para discutir os desafios regulatórios da implementação de tecnologias de armazenamento de energia no Brasil. Os interessados poderão participar de forma presencial ou por meio do canal da Agência no YouTube.

Segundo a ANEEL, existem cinco tendências que apontam para o uso de armazenamento de energia nos sistemas elétricos:

  1. Demanda crescente por energia elétrica: aumento do número de novos consumidores e o aumento per capita do consumo;
  2. Deslocamento da matriz energética para eletricidade: necessidade de descarbonização das atividades econômicas;
  3. Mais geração renovável, especialmente solar e eólica: tecnologias apresentam pouco poder de controle por parte dos operadores;
  4. Recursos energéticos distribuídos e em pequena escala: destaque para geração solar distribuída;
  5. Sofisticação das redes elétricas: estão cada vez mais autônomas e inteligentes, além da possibilidade de fluxos bidirecionais.

A partir de diálogo com a sociedade, a ANEEL constatou a necessidade de propor uma regulamentação específica para armazenamento de energia recarregado pela rede elétrica. Nesse contexto, o tema passou a ter prioridade na Agenda Regulatória e ainda este ano deve ser aberta uma consulta pública para AIR (Análise de Impacto Regulatório), com posterior discussão da minuta da norma.

Atualmente, já existe uma regulamentação para “resposta da demanda”, situação em que grandes consumidores reduzem os seus perfis de consumo e ganham uma receita por isso. Dessa forma, ao invés de reduzir o consumo de seus processos produtivos, um grande consumidor pode instalar um sistema de armazenamento para fornecer energia durante o horário de pico.

Outra possibilidade já em vigor é a instalação de empreendimentos híbridos de geração com armazenamento, além da possibilidade de inserção de soluções renováveis em usinas que atendem os sistemas isolados, ou seja, aquelas regiões não abrangidas pelo SIN (Sistema Interligado Nacional).

Existe ainda o “Mais Luz para a Amazônia”, política pública promovida pelo MME (Ministério de Minas e Energia), que busca a instalação de geração fotovoltaica e armazenamento em comunidades isoladas, nas quais seria mais caro e menos sustentável levar geradores à diesel e estabelecer a logística de transporte do combustível.

Quais as vantagens do armazenamento de energia?

Os sistemas de armazenamento são equipamentos que conseguem guardar energia elétrica, proveniente de um gerador ou da rede elétrica, para uso posterior, aumentando dessa forma a confiabilidade e flexibilização da operação. Uma das vantagens é a possibilidade de comprar energia nos momentos em que ela está abundante e barata, a fim de ganhar receita com a posterior venda dessa energia no mercado.

Outra vantagem é favorecer a expansão da geração pelas fontes solar e eólica. Hoje, essas fontes já são as mais baratas e dominantes nas novas contratações, mas elas operam com intermitências e variabilidades diárias imprevisíveis. O armazenamento de energia opera nesse espaço, estabilizando a rede e trazendo confiabilidade.

O armazenamento pode ajudar a reduzir as restrições de despacho das usinas de geração, seja porque a transmissão está temporariamente saturada e falta espaço para levar energia dos produtores para os consumidores, seja porque está faltando consumidor naquele momento para toda a geração disponível.

O armazenamento pode fornecer o que é conhecido como “serviços de capacidade”, ou seja, em horários estratégicos, essa infraestrutura garante confiabilidade de fornecimento durante os horários de pico de consumo, evitando a contratação de outras usinas que poderiam ser mais caras para a mesma finalidade.

Em outra frente, é possível também que o armazenamento colabore na redução e na postergação dos investimentos na expansão da transmissão e distribuição. A implantação de um sistema de armazenamento em um ponto estratégico da rede pode ser mais vantajosa economicamente do que a construção de novas linhas e instalação de novos transformadores.

Imagem de Wagner Freire
Wagner Freire
Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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