Os cortes de geração de fontes renováveis aumentaram em 2026, refletindo os desafios operacionais e estruturais enfrentados pelo sistema elétrico brasileiro diante da expansão acelerada da energia solar e eólica.
Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) mostram que, entre 1º de janeiro e 30 de abril deste ano, o volume médio de geração cortada alcançou 2.843 MW médios, o equivalente a 17,2% da geração potencial das usinas afetadas.
No mesmo período de 2025, os cortes de energia solar e eólica haviam somado 2.436 MW médios, correspondendo a 15,3% da geração potencial.
O avanço demonstra um agravamento do curtailment no sistema, principalmente em regiões com elevada concentração de geração renovável. O cenário é considerado mais grave devido ao maior número de usinas em operação neste ano.
Ao longo de 2025, o Brasil desperdiçou 20,6% de toda a energia solar e eólica disponível ao longo de 2025, segundo levantamento da Volt Robotics. O prejuízo representou uma perda de cerca de R$ 6 bilhões.
Volt Robotics calcula perdas de R$ 6 bi com curtailment em 2025
Razão energética lidera cortes em 2026
Os cortes de geração são classificados pelo ONS em três categorias: confiabilidade elétrica, indisponibilidade externa e razão energética.
Em 2026, a principal causa das restrições foi a razão energética, situação em que a carga do sistema não consegue absorver toda a energia disponível para despacho. Essa modalidade respondeu por 1.772 MW médios de cortes no primeiro quadrimestre.
Já os cortes por confiabilidade elétrica, relacionados à necessidade de preservar a segurança operativa do sistema, totalizaram 651 MW médios.
As restrições provocadas por indisponibilidade externa, normalmente associadas à falta de capacidade de transmissão para escoamento da energia gerada, responderam por 420 MW médios.
O cenário representa uma mudança importante em relação a 2025. No primeiro quadrimestre do ano passado, a indisponibilidade externa liderava os cortes, com 1.150 MW médios.
Naquele período, os cortes por confiabilidade elétrica somaram 591 MW médios, enquanto as restrições por razão energética alcançaram 695 MW médios.
Eólicas seguem mais impactadas
Na divisão por fonte, os parques eólicos continuam registrando os maiores volumes de curtailment. Entre janeiro e abril de 2026, as usinas eólicas tiveram cortes médios de 1.806 MW, enquanto as usinas solares registraram redução de 1.037 MW médios.
No mesmo período de 2025, os cortes na geração eólica haviam sido de 1.592 MW médios, contra 844 MW médios da fonte solar. O Nordeste permanece como principal região afetada pelos cortes de geração no país. Entre janeiro e abril deste ano, a região concentrou 2.233 MW médios de curtailment.
Também foram registrados cortes no Sudeste, com 476 MW médios, além de volumes menores no Norte, com 17 MW médios, e no Sul, com 13 MW médios. Entre os estados mais impactados aparecem Ceará, Bahia, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais, Goiás e São Paulo.
O aumento dos cortes ocorre em meio ao crescimento acelerado da capacidade renovável instalada no Brasil e aos desafios para expansão da infraestrutura de transmissão.
Além disso, a combinação entre elevada geração solar durante o dia, avanço da geração distribuída e redução da carga em determinados horários tem ampliado os episódios de excedente energético no sistema.
Enquanto isso, os geradores aguardam uma definição sobre o ressarcimento dos cortes de geração impostos pelo operador do sistema. O tema se tornou um dos principais pontos de tensão entre agentes do setor, governo e reguladores.
As discussões envolvem principalmente os cortes classificados como constrained-off, quando as usinas são obrigadas a reduzir a geração por limitações operacionais do sistema elétrico, restrições de transmissão ou razões energéticas alheias ao controle dos empreendedores.
Atualmente, agentes defendem a criação de mecanismos de compensação financeira para mitigar os impactos sobre a receita dos projetos, sobretudo em empreendimentos financiados com base em projeções de geração que acabam comprometidas pelas restrições operativas.
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.