Com o período chuvoso registrando volumes abaixo da média em importantes bacias hidrográficas, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) reforçou as ações preventivas para garantir a segurança energética do país ao longo de 2026.
A decisão foi tomada durante a 314ª reunião do colegiado, realizada em 14 de janeiro, com base em dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), da ANA (Agência Nacional de Águas) e do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Desde outubro de 2025, o comitê acompanha o comportamento das chuvas e a situação dos reservatórios, e já antecipava um cenário mais crítico para o período úmido.
Segundo os dados apresentados na reunião, os armazenamentos equivalentes no fim de dezembro ficaram em 42% no Sudeste/Centro-Oeste, 71% no Sul, 46% no Nordeste e 55% no Norte — com média de 45% no SIN.
Ações definidas para enfrentar a baixa hidrologia
Diante do quadro, o CMSE estabeleceu um conjunto de medidas que passam a guiar a operação do sistema em 2026. Entre as principais iniciativas, está a redução da inflexibilidade hidráulica no SIN, permitindo maior controle sobre a geração hidrelétrica e contribuindo para a recomposição dos reservatórios, com ênfase na bacia do rio Paraná.
Além disso, o comitê recomendou a elaboração de um plano de ação para a bacia do Paraná, prevendo novas reduções de vazão a partir de março, caso as chuvas continuem abaixo do esperado em fevereiro. O plano deverá envolver os órgãos responsáveis e levar em consideração a finalização do período de piracema.
O ONS também ressaltou a importância da manutenção da operação da UHE Belo Monte com base no hidrograma vigente, destacando sua contribuição estratégica para o Sistema Interligado Nacional. Segundo o MME, o tema está sendo acompanhado pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).
Previsões apontam continuidade de chuvas abaixo da média
A previsão meteorológica apresentada pelo Cemaden indica que, nas próximas semanas, as principais bacias geradoras do Sudeste e Centro-Oeste seguirão recebendo volumes de chuva abaixo da média. Essa tendência reforça o alerta do comitê e a necessidade de medidas de prevenção mais rígidas.
Do ponto de vista da ENA (Energia Natural Afluente), os índices de dezembro já foram baixos: 71% da média histórica no Sul, 64% no Norte, 42% no Nordeste e 67% no total do SIN.
Apoio emergencial no Amapá e desativação de térmicas em Roraima
Durante a reunião, o CMSE também reconheceu situação emergencial no distrito de Bailique (AP), onde a perda de 1.400 metros de rede elétrica ameaça o abastecimento. Foi autorizada a operação de geração de suporte de até 1 MW por 180 dias, enquanto a distribuidora CEA Equatorial prepara uma solução definitiva.
Outra decisão importante foi a autorização para início da desativação das usinas térmicas em Roraima, agora que o estado está integrado ao SIN. A medida visa reduzir emissões, elevar a eficiência da operação local e garantir padrões de qualidade similares aos do restante do país.
Expansão e estabilidade no mercado
O setor encerrou 2025 com números expressivos de expansão: 7.404 MW em nova capacidade instalada, 5.702 km de linhas de transmissão e 11.764 MVA de capacidade de transformação. Só em dezembro, foram adicionados 653 MW de geração, com destaque para projetos solares e eólicos na Bahia.
Já na área de comercialização, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) informou que não houve inadimplência no Mercado de Curto Prazo em novembro, mesmo após o fim das liminares relacionadas ao risco hidrológico (GSF). O resultado é considerado positivo para o avanço do mercado livre.
Monitoramento permanente
O CMSE finalizou a reunião com o compromisso de manter o acompanhamento contínuo das condições hidrológicas e operacionais do sistema elétrico, adotando novas medidas conforme necessário. As ações já em curso fazem parte de uma agenda estratégica para garantir a confiabilidade do abastecimento em um cenário de incerteza climática.
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