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CNPE aprova resolução para contratação usinas reversíveis no país

Medida insere armazenamento hidráulico no planejamento energético nacional

CNPE aprova resolução para contratação usinas reversíveis no país

Vista aérea de uma usina hidrelétrica reversível em operação. Foto: NHA/Divulgação

O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) aprovou uma resolução que incorpora os sistemas de armazenamento hidráulico (usinas reversíveis) como instrumento estratégico do planejamento energético brasileiro.

A decisão estabelece diretrizes para o desenvolvimento e a contratação desses empreendimentos no âmbito do SIN (Sistema Interligado Nacional), com foco em ampliar a segurança e a flexibilidade da operação elétrica.

A medida reconhece o papel dessas usinas no armazenamento de energia em períodos de menor demanda, com posterior despacho nos momentos de maior consumo. Com isso, o modelo passa a ser considerado uma solução para a confiabilidade do sistema.

Diretrizes

A resolução define que a contratação dos projetos deverá ocorrer por meio de leilões e outros mecanismos competitivos, com contratos estruturados para refletir o perfil de longo prazo dos investimentos.

A remuneração estará associada à disponibilidade de potência e ao desempenho operacional, criando previsibilidade de receita para viabilizar economicamente os empreendimentos.

Outro ponto central é a integração dessas usinas aos instrumentos de planejamento energético em diferentes horizontes (curto, médio e longo prazo) reforçando seu papel como ativo estruturante do sistema.

A definição dos requisitos técnicos ficará a cargo do MME (Ministério de Minas e Energia), com apoio de órgãos como ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Na prática, a decisão do CNPE sinaliza uma mudança na forma como o país pretende tratar o armazenamento de energia, incorporando soluções hidráulicas ao lado de outras tecnologias emergentes.

Debate retomado

A aprovação da resolução ocorre cerca de um ano após a retomada das discussões sobre usinas reversíveis no Brasil, intensificadas em um seminário promovido pelo MME em março de 2025.

O encontro reuniu representantes do governo, reguladores e agentes do setor para avaliar a viabilidade desses projetos e sua inserção no planejamento energético.

Na ocasião, foi destacada a necessidade de avançar na definição de regras para viabilizar a tecnologia no país, diante de sua importância para garantir oferta de potência em momentos críticos do sistema.

Também se discutiu a possibilidade de inclusão dessas usinas em leilões de reserva de capacidade, ampliando o leque de soluções disponíveis além das termelétricas e hidrelétricas convencionais.

A expectativa agora é que a definição de regras técnicas e a estruturação dos mecanismos de contratação permitam a inclusão desses empreendimentos nos próximos leilões, consolidando o armazenamento hidráulico como componente relevante da matriz elétrica brasileira.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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