A passagem de uma forte frente fria pelas regiões Sul e Sudeste do país, marcada por uma microexplosão atmosférica em Ribeirão Preto (SP), um apagão generalizado no Rio de Janeiro (RJ) e pela formação de tornados em cidades do Rio Grande do Sul, chamou a atenção das autoridades brasileiras nos últimos dias.
Além dos impactos à população, os eventos reacenderam uma dúvida recorrente entre consumidores e profissionais do setor fotovoltaico: painéis solares instalados em telhados podem ser arrancados por ventanias de grande intensidade?
Segundo Sérgio Koloszuk, sócio-diretor comercial da Solar Group, a resposta depende diretamente da qualidade do projeto e da instalação.
Em entrevista ao Canal Solar, ele explica que a resistência dos painéis solares não está relacionada apenas aos materiais utilizados, mas também ao correto dimensionamento das estruturas de fixação, à especificação dos componentes e ao cumprimento das normas técnicas.
O profissional destaca que, quando o projeto é executado corretamente, praticamente todas as ocorrências desse tipo podem ser evitadas, mesmo diante de ventos de alta intensidade.
Entre as principais referências para o dimensionamento estrutural está a NBR 6123, norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que estabelece as forças devidas ao vento que devem ser consideradas no projeto de edificações e de suas estruturas, conforme as características de cada região do país.
Segundo Koloszuk, os ventos registrados recentemente em Ribeirão Preto (SP) na última semana, apesar do impacto visual, permaneceram dentro dos parâmetros previstos pela norma.
“A NBR 6123 classifica Ribeirão Preto (SP), por exemplo, como ‘Região 3’, onde podem ocorrer ventos de até 140 km/h. Os ventos que aconteceram na cidade foram de 120 km/h. Ou seja, não é porque os ventos foram impressionantes que foram fora dos previstos pela norma técnica”, destaca ele.
O diretor da Solar Group também contestou a percepção de que ventos dessa magnitude seriam capazes de arrancar a maioria dos telhados. “Na verdade, a imensa maioria dos telhados aguentou. O rastro de destruição que os vídeos (vistos na internet ou telejornais) mostram são de árvores mal cuidadas que caíram e de edificações construídas fora das especificações corretas”, afirmou.

Falta de capacitação
De acordo com o profissional, grande parte dos casos de destelhamento associados a painéis solares decorre de falhas no dimensionamento das estruturas ou do descumprimento das recomendações técnicas.
“No Brasil temos um problema sério de desinformação. Garanto a você que a imensa maioria dos profissionais do setor sequer sabe o que é um torquimetro, nem sabem que existe norma para cálculo das forças de vento e nem se dão ao trabalho de ler as instruções dos fabricantes”, afirmou.
Segundo Koloszuk, ainda é comum encontrar sistemas projetados com base em experiências empíricas, sem considerar os critérios estabelecidos pelas normas técnicas e pelos fabricantes.
Importância da qualidade
Ao tratar especificamente das instalações fotovoltaicas, o especialista ressalta que a segurança não depende apenas da estrutura metálica, mas do conjunto formado pelos módulos, estrutura de fixação e telhado.
“As estruturas de fixação são parte de um conjunto que envolve as placas e o substrato. É óbvio que se um telhado tiver madeiramento podre, num evento como este tudo pode colapsar”.
Para ele, a segurança de uma instalação depende da avaliação e da qualidade de todos os componentes do sistema. “Para a Solar Group sempre foi um desafio produzir excelência com preço acessível, quando a base de comparação do preço é a régua de pedreiro substituindo os perfis e o arame substituindo os grampos”.
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