O custo da energia solar combinada com sistemas de armazenamento por baterias (BESS) pode cair cerca de 40% no Brasil ao longo da próxima década, ampliando a competitividade da tecnologia no país.
Projeções da McKinsey & Company apontam que o chamado Firm LCOE (Custo Nivelado da Energia Firme) da geração solar associada a baterias pode passar de US$ 65/MWh, em 2025, para aproximadamente US$ 39/MWh em 2035.
O indicador vai além do custo de geração da fonte solar. O cálculo incorpora também o chamado “prêmio de firmeza”, relacionado ao custo adicional necessário para aumentar a previsibilidade e a confiabilidade da entrega de energia por meio do armazenamento.
Segundo as projeções apresentadas pela consultoria, a redução desse custo no Brasil deve ser favorecida por uma combinação de fatores, entre eles a elevada irradiação solar, a expectativa de queda dos preços dos sistemas de armazenamento e avanços no dimensionamento das baterias.
Com isso, a combinação entre geração fotovoltaica e armazenamento tende a ganhar competitividade ao longo dos próximos anos.
Brasil pode ficar atrás apenas da China
A projeção também coloca o Brasil em posição de destaque na comparação internacional. Para 2035, o Firm LCOE estimado para o país é de aproximadamente US$ 39/MWh, ficando acima apenas do valor projetado para a China, de cerca de US$ 33/MWh.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a estimativa apresentada é de aproximadamente US$ 59/MWh no mesmo horizonte. O cenário indica que o Brasil pode estar entre os mercados com menor custo para geração solar firme apoiada por sistemas de armazenamento.
Tarifas elevadas ampliam espaço para armazenamento
Outro aspecto destacado pela apresentação é o preço da eletricidade pago pelos consumidores brasileiros. A análise considera uma tarifa residencial de US$ 0,36/kWh em paridade de poder de compra e aponta que o valor brasileiro supera o observado em 77 países.
O material também indica que a conta de luz avançou 12% em 2025, diante de uma inflação de 4,4% no período. Esse cenário pode ampliar a atratividade econômica das baterias, especialmente em aplicações que permitam reduzir a dependência da rede nos períodos de maior custo e aproveitar de maneira mais eficiente a energia produzida pelos sistemas fotovoltaicos.
Nesse contexto, o armazenamento passa a ter uma função que vai além do fornecimento de energia durante períodos sem geração solar, podendo ser utilizado também para deslocar o consumo da rede e aumentar o aproveitamento da geração própria.
Queda dos custos pode ampliar competitividade
Os números foram apresentados nesta sexta-feira (11), em São Paulo, durante evento promovido pela CELA (Clean Energy Latin America) e pela IFC (International Finance Corporation), braço do setor privado do Grupo Banco Mundial. A apresentação foi realizada por Mikael Djanian, sócio da McKinsey & Company no Brasil.
“Comparando com outros países, o Brasil só perde para a China, em termos de LCOE firme. Não estamos falando aqui de tarifas e outros encargos, estamos falando de custo puro de energia, o Brasil é um dos mais competitivos do mundo”, disse o executivo.
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