A energia elétrica residencial recuou 7,63% em agosto na comparação com julho e foi determinante para o Brasil registrar a maior deflação mensal dos últimos quatro anos, mostram dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o orgão, a inflação oficial do país – medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – caiu 0,32% em agosto, após avançar 0,07% no mês anterior. Essa foi a maior queda mensal do índice desde agosto de 2022, quando o IPCA havia recuado 0,36%.
Neste cenário, a energia elétrica residencial exerceu impacto de -0,33 ponto percentual sobre o resultado de agosto. Isso significa que, retirando matematicamente essa contribuição, o IPCA teria ficado próximo da estabilidade, mas no campo positivo, em cerca de 0,01%.
O movimento chama atenção principalmente pela mudança em relação ao mês anterior. Em julho, a energia elétrica residencial havia subido 3,09% e contribuído com 0,13 ponto percentual para a inflação.
Bônus de Itaipu contribuiu para queda em agosto
A redução registrada pelo IBGE em agosto foi influenciada pelo Bônus de Itaipu, creditado nas faturas de energia dos consumidores. Por isso, o recuo de 7,63% não representa necessariamente uma redução estrutural das tarifas de energia elétrica.
O resultado mensal incorpora o efeito do crédito recebido pelos consumidores no período. O movimento ocorreu mesmo com a vigência da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Com a queda da energia elétrica, o grupo Habitação também apresentou redução no IPCA de agosto.
Em julho, energia elétrica subiu e impediu deflação
A mudança de um mês para o outro evidencia o peso da eletricidade residencial sobre a inflação oficial brasileira. Em julho, conforme mostrou o Canal Solar, o IPCA avançou 0,07%, enquanto a energia elétrica residencial subiu 3,09% e apresentou impacto de 0,13 ponto percentual no índice.
Sem essa contribuição, o resultado daquele mês teria ficado aproximadamente 0,06% negativo. Ou seja, a energia elétrica foi suficiente para impedir que o país registrasse deflação em julho.
Em agosto, ocorreu justamente o movimento contrário: a energia elétrica passou de uma das principais pressões sobre a inflação para o item com maior contribuição para a queda do indicador. Entre julho e agosto, a contribuição da eletricidade residencial para o IPCA passou de +0,13 para -0,33 ponto percentual, uma diferença de 0,46 ponto percentual.
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Energia e seu peso sobre a inflação
A comparação entre os dois meses ajuda a dimensionar como as variações da energia elétrica residencial podem influenciar a inflação no Brasil. Em julho, a alta da eletricidade contribuiu para manter o IPCA no campo positivo. Em agosto, sua queda teve impacto superior à própria deflação registrada pelo índice geral.
Isso acontece porque a energia elétrica residencial integra o grupo Habitação e possui peso relevante na cesta de produtos e serviços acompanhada pelo IBGE para calcular a inflação. O IPCA acompanha a variação dos preços para famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e é considerado o índice oficial de inflação do país.
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