Os desembolsos do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para projetos de geração de energia solar e eólica apresentaram redução acentuada entre 2023 e 2025, conforme dados consolidados pela instituição financeira, a pedido do Canal Solar.
Em 2023, o BNB desembolsou aproximadamente R$ 6,4 bilhões para projetos de geração renovável, sendo R$ 3,52 bilhões à energia solar e R$ 2,88 bilhões destinados à energia eólica
O volume representou o maior patamar do período analisado e refletiu um cenário, até então, de forte expansão dos empreendimentos, especificamente nos estados do Nordeste.
Trajetória de baixa
Já em 2024, os desembolsos recuaram para R$ 3,9 bilhões, queda de aproximadamente 36% em relação ao ano anterior. Desse total, R$ 3,53 bilhões foram direcionados a projetos fotovoltaicos e R$ 371,8 milhões a empreendimentos eólicos. A retração marcou o início de um movimento mais cauteloso do banco no financiamento ao setor.
Em 2025, a redução se aprofundou. Os desembolsos somaram cerca de R$ 1,97 bilhões, novo recuo anual, com R$ 1,74 bilhão em energia solar, com R$ 231,7 milhões aplicados em energia eólica. Na comparação com 2023, o volume total financiado caiu cerca de 68,8%, consolidando o segundo ano consecutivo de retração.
A comparação ano a ano sinaliza um ambiente mais restritivo para novos investimentos financiados pelo banco. O comportamento contrasta com o ciclo anterior, marcado por crescimento acelerado do número de projetos e do volume de crédito concedido.
Curtailment
O BNB sugere que esse movimento se deve, entre outros fatores, à incerteza provocada pelo curtailment, prática de cortes de geração aplicada em momentos de restrição do sistema elétrico.
Os cortes vêm sendo realizados ainda sem mecanismos claros de compensação, o que afeta a previsibilidade de receitas dos empreendimentos e, consequentemente, a estruturação financeira dos projetos.
Esse cenário tende a aumentar a percepção de risco, tanto para investidores quanto para agentes financeiros, e, por conta disso, o banco optou por não apresentar estimativas ou projeções para 2026.
A decisão reflete o grau de incerteza ainda presente no setor, especialmente em relação à evolução do curtailment, ao ritmo de expansão da transmissão e às definições regulatórias que podem impactar o fluxo de caixa dos projetos renováveis.
Mesmo com a retração recente, o histórico do BNB no financiamento à geração renovável permanece relevante. Ao longo da última década, a instituição foi responsável por viabilizar dezenas de parques solares e eólicos no Nordeste, desempenhando papel central na interiorização dos investimentos, na geração de empregos e no fortalecimento da cadeia produtiva regional.
O crédito concedido pelo banco foi decisivo para atrair capital privado e acelerar a implantação de projetos que consolidaram a região como líder nacional em energia renovável.
Ajuste na estratégia
Diante do atual cenário, o BNB informou que promove um redirecionamento estratégico em sua carteira de energia. Em vez de focar exclusivamente na expansão da capacidade geradora, o banco agora prioriza o financiamento de soluções que mitiguem as restrições operacionais.
O foco atual tende a se voltar para projetos de armazenamento de energia (BESS) e para a expansão e modernização das linhas de transmissão, uma vez que são investimentos considerados fundamentais para permitir o pleno aproveitamento da energia já gerada e garantir a sustentabilidade do crescimento das renováveis no longo prazo.
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