O setor energético brasileiro, responsável por uma das matrizes elétricas mais limpas e diversificadas do mundo, também tem passado por uma transformação importante nos últimos anos: o crescimento da presença feminina em áreas estratégicas como liderança empresarial, pesquisa científica, inovação e formulação de políticas públicas.
Dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que as mulheres já representam mais de 20% da força de trabalho no setor elétrico brasileiro – um avanço significativo em um segmento que, por décadas, foi ocupado quase exclusivamente por homens.
Nesse cenário, profissionais de diferentes áreas têm se destacado na condução de projetos, na formulação de políticas energéticas e na produção de conhecimento técnico, contribuindo diretamente para o desenvolvimento do setor e para o avanço da transição energética no país.
Para marcar o Dia Internacional da Mulher, o Canal Solar conta a história de algumas das profissionais que vêm fazendo a diferença na construção de um setor energético mais inovador, diverso e sustentável.
Lideranças empresariais no setor elétrico

A presença feminina tem se fortalecido em posições de liderança dentro de empresas e instituições que atuam diretamente na expansão da matriz energética brasileira.
Um dos exemplos é Adriana Waltrick, CEO da SPIC Brasil, companhia que opera importantes ativos de geração no país, incluindo grandes projetos de energia renovável, especialmente no Nordeste.
À frente da empresa, a executiva conduz estratégias voltadas ao fortalecimento do portfólio de geração e ao desenvolvimento de novas soluções alinhadas à transição energética.
Outro nome de destaque é o de Camila Ramos, Camila Ramos, CEO da Cela (Clean Energy Latin America). A executiva atua na análise e no desenvolvimento de estratégias para o setor energético na América Latina, com foco em energias renováveis, transição energética e novas oportunidades de mercado.
Outra liderança é Veronica Coelho, presidente da Equinor no Brasil. Sob sua gestão, a companhia norueguesa tem ampliado investimentos no país, incluindo projetos voltados ao desenvolvimento da energia eólica offshore.
Entre as profissionais que também se destacam está Mara Schwengber, executiva com forte atuação no setor. Ela é CEO da Solled Energia e também atua como coordenadora estadual da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) no Rio Grande do Sul, participando de articulações regulatórias e eventos do setor.
Regulação do setor elétrico

No campo da regulação, Agnes Costa ocupa desde dezembro de 2022 uma cadeira na diretoria da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Economista com ampla experiência em políticas públicas e regulação, ela integra o colegiado responsável pelas decisões que impactam diretamente o funcionamento do sistema elétrico brasileiro.
Ao assumir o cargo, Agnes tornou-se a terceira mulher a ocupar a diretoria da Agência desde sua criação, em 1996. Antes dela, Joísa Dutra e Elisa Bastos também integraram o colegiado em momentos importantes da evolução regulatória do setor. Camila Bonfim e Ludimila Lima também exerceram funções, só que de forma interina, na diretoria da autarquia.
Articulação institucional e debate energético

Além da liderança em empresas e órgãos reguladores, mulheres também têm desempenhado papel relevante na representação institucional do setor energético e na construção de debates sobre o futuro da energia no país.
Um exemplo é Alessandra Torres, presidente da ABRAPCH (Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas). À frente da associação, atua na defesa do papel das PCHs e CGHs como fontes estratégicas para a diversificação da matriz elétrica e para a geração próxima aos centros de consumo.
Também se destaca Marina Meyer Falcão, presidente da Comissão de Energia da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Minas Gerais e integrante do INEL (Instituto Nacional de Energia Limpa), que também atua na promoção de debates sobre regulação, segurança jurídica e transição energética no Brasil.
Já Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), tornou-se uma das principais vozes da expansão da fonte eólica no Brasil, estando há mais de uma década à frente da entidade.
Outra mulher de destaque no setor é Bárbara Rubim, vice-presidente de GD (geração distribuída) da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Ela participa ativamente das discussões regulatórias e de políticas públicas relacionadas à expansão da energia solar no país.
Difusão de conhecimento no setor elétrico

O avanço da participação feminina também pode ser observado no empreendedorismo e na disseminação de conhecimento técnico no setor energético.
Entre os destaques está Silla Motta, CEO da empresa Donna Lamparina. Engajada no Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas), ela atua como mentora e desenvolve projetos voltados à ampliação da presença feminina no mercado de energia.
Arquiteta de formação e doutora em engenharia civil, Clarissa Zomer é outro nome experiente do setor. Ela é considerada uma das principais referências brasileiras na integração da energia solar à arquitetura, área conhecida como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).
Fundadora do Arquitetando Energia Solar, Clarissa atua na capacitação de profissionais do setor e no desenvolvimento de projetos que integram geração fotovoltaica ao planejamento arquitetônico.
Pesquisa e inovação

Se hoje as mulheres ocupam posições estratégicas no setor energético brasileiro, uma nova geração já começa a trilhar esse caminho por meio da ciência, da inovação e da educação.
Aos 23 anos, Manuelle da Costa Pereira, estudante do IFAP (Instituto Federal do Amapá), tornou-se um dos novos motivos de orgulho da ciência brasileira ao conquistar o Prêmio Jovem Cientista, com reconhecimento anunciado no dia 26 de fevereiro.
O projeto premiado foi inspirado em uma realidade muito presente na Amazônia: a dificuldade de acesso à energia em áreas isoladas. A jovem desenvolveu um kit portátil de energia solar voltado para castanheiros que trabalham em regiões remotas da floresta, onde a eletricidade muitas vezes não chega.
A proposta oferece uma solução simples e prática para quem depende do extrativismo, contribuindo para melhorar as condições de trabalho e ampliar o acesso à energia em comunidades tradicionais. O projeto rapidamente ganhou visibilidade internacional e foi apresentado à comunidade global durante a COP30, realizada em Belém (PA).
Outra pesquisadora que tem contribuído para ampliar o debate sobre energia e transição energética no país é Danúsia Arantes, pesquisadora do CPTEn (Centro Paulista de Estudos da Transição Energética) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Ela recebeu recentemente o Prêmio Mulheres da Energia 2025, na categoria Impacto Social, pelo projeto “Olhos no Futuro”, iniciativa que aproxima estudantes da rede pública de temas como sustentabilidade, inovação tecnológica e desafios energéticos.
Criado em 2018, o programa leva atividades educativas e projetos práticos para escolas, incentivando jovens a refletirem sobre o futuro da energia e sobre o papel da ciência na construção de um sistema elétrico mais sustentável.
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