A principal trava para o avanço da transição energética na indústria nacional não está no custo ou na tecnologia, mas na falta de conhecimento sobre benefícios e oportunidades.
A avaliação é de Camila Ramos, CEO da CELA (Clean Energy Latin America), que acaba de assumir uma posição na diretoria da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Em entrevista ao Canal Solar, ela explicou que há um déficit significativo de informação entre empresas sobre como a transição pode reduzir custos, aumentar competitividade e melhorar o posicionamento ambiental por meio da descarbonização.
Para Camila, a realização massiva de eventos técnicos, encontros setoriais e fóruns de discussão, como os que a FIESP já vem realizando, é vital para romper essa barreira, ao promover contato com especialistas e tendências, além de abordar não só a tecnologia, mas a viabilidade econômica e novos modelos de negócio.
Energia Solar
Camila enxerga um amplo horizonte de oportunidades para a indústria paulista, com destaque para a energia solar, lembrando o grande potencial de radiação disponível no estado.
Para ela, a geração própria e projetos de autoprodução são caminhos interessantes para a matriz elétrica industrial. Ela ressalta que o setor de geração distribuída continua crescendo pela sua competitividade, mas reforça que a estabilidade regulatória é fundamental para manter esse ritmo.
Impulsionada por data centers, autoprodução lidera contratos de solar e eólica no mercado livre
Além da solar, a diretora cita a eletrificação de caldeiras, o uso de hidrogênio de baixo carbono e o armazenamento de energia como tendências crescentes.
No caso das baterias, ela identifica viabilidade econômica imediata para indústrias que buscam migrar entre diferentes faixas tarifárias (como do azul para o verde) através de estratégias de peak shaving e load shifting.
Biogás
Na área da bioenergia, Camila Ramos destaca o enorme potencial de crescimento do biogás proveniente de resíduos da cana-de-açúcar.
Ela explica que, embora o setor sucroenergético vive atualmente um ciclo mais voltado à produção de açúcar devido aos preços internacionais mais favoráveis, o aproveitamento de resíduos para biometano está avançando rapidamente. O surgimento de créditos voltados especificamente para esse tipo de energético, tem incentivado o desenvolvimento de um mercado promissor.
Aprimoramento
Quanto às questões legislativas, a executiva defende que o Brasil precisa avançar na regulamentação do armazenamento de energia. Atualmente, o país ainda não possui regras para a remuneração de serviços ancilares prestados por baterias, o que limita a viabilidade de projetos que já são comuns em outros mercados.
Camila volta a enfatizar que o mais importante é que o setor tenha regras claras e estáveis para que as empresas possam planejar seus investimentos em transição energética com segurança.
Trajetória
Camila Ramos assumiu a diretoria do Deinfra, dando continuidade a um trabalho de dois anos como conselheira no COINFRA (Conselho Superior de Infraestrutura) da FIESP.
Com mais de 20 anos de trajetória no setor de renováveis, ela é fundadora e CEO da CELA (Clean Energy Latin America), consultoria especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica que já viabilizou cerca de R$ 50 bilhões em projetos de energia limpa no Brasil.
Além de sua atuação na FIESP, Camila é vice-presidente da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e membro do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas).
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