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Apenas 46 países possuem planos para retirar combustíveis fósseis de suas matrizes energéticas

Relatório mostra que menos de um terço dos signatários do Acordo de Paris possuem uma estratégia de transição energética

Canal Solar - Apenas 46 países possuem planos para retirar combustíveis fósseis de suas matrizes energéticas

Foto: Freepik

Menos de um terço dos 197 países signatários do Acordo de Paris possui algum tipo de planejamento para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis de suas matrizes energéticas.

A conclusão faz parte de um relatório publicado nesta terça-feira (6) pelo centro de pesquisa IISD (International Institute for Sustainable Development), do Canadá, com participação das organizações E3G (Reino Unido), Ecco (Itália), Sefia (Turquia) e do Observatório do Clima (Brasil).

Segundo o levantamento, apenas 46 países possuem algum tipo de plano estruturado para descarbonizar o setor elétrico. Além disso, somente outros 11 países — entre eles Reino Unido, Noruega, Colômbia e Brasil — discutem medidas para limitar ou reduzir a oferta de petróleo, gás e carvão.

O debate sobre o caminho global para reduzir a dependência de combustíveis fósseis ganhou ainda mais urgência nas últimas semanas, em meio à guerra no Oriente Médio — que provocou uma alta nos preços do petróleo. O conflito reacendeu preocupações sobre os impactos da volatilidade energética na inflação e no crescimento da economia mundial.

Nesse contexto, governos e profissionais devem se reunir em abril, na cidade de Santa Marta, na Colômbia, para a primeira conferência internacional dedicada a discutir estratégias de transição energética.

De acordo com profissionais em políticas públicas, o avanço da descarbonização no mundo dependerá da adoção de roteiros nacionais claros e alinhados à ciência climática, além de maior coordenação internacional.

Na prática, isso envolve vincular o declínio do uso de combustíveis fósseis à expansão das energias renováveis e à eletrificação da economia, além de reformar subsídios ao petróleo, gás e carvão.

O estudo também recomenda que países planejem o descomissionamento de ativos fósseis, promovam a recuperação ambiental das áreas afetadas e desenvolvam estratégias de diversificação econômica — especialmente nas economias fortemente dependentes da produção desses recursos.

Segundo os autores, sem esses elementos a transição energética corre o risco de ocorrer de forma fragmentada e descoordenada, com países ampliando a oferta de combustíveis fósseis que pode não encontrar demanda no futuro.

Esse cenário, no entendimento do relatório, aumentaria os riscos fiscais e a possibilidade de ativos encalhados, além de comprometer oportunidades de fortalecer a competitividade econômica e a segurança energética.

Acesse aqui o estudo.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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