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Empresas do setor elétrico intensificam parcerias com Climatempo por causa do Super El Niño

ISA Energia e Argo estão entre as companhias que adotaram soluções de monitoramento para antecipar riscos de eventos climáticos extremos

Canal Solar - Empresas do setor elétrico intensificam parcerias com Climatempo por causa do Super El Niño

Foto: Ilustração

Empresas do setor elétrico estão ampliando parcerias com a Climatempo para reforçar o monitoramento de eventos climáticos e antecipar riscos para redes e ativos de energia. Entre as companhias que já utilizam soluções da empresa estão ISA Energia e Argo Energia, ambas do segmento de transmissão.

O movimento ocorre diante da possibilidade de intensificação do El Niño e dos impactos que o fenômeno pode provocar sobre a infraestrutura elétrica, principalmente em situações de chuvas intensas, ventos fortes, descargas atmosféricas, calor extremo e mudanças no regime de precipitação.

As iniciativas envolvem a instalação de estações meteorológicas e o uso de dados e alertas em tempo real para identificar áreas de risco e preparar a operação antes e durante eventos extremos.

“O setor elétrico está cada vez mais exposto aos impactos de eventos climáticos extremos. Com a possibilidade de um El Niño forte, a antecipação de riscos se torna ainda mais estratégica para o setor de energia”, afirma Vitor Hassan, Head de Negócios da Climatempo.

Transmissoras reforçam monitoramento

A ISA Energia, por exemplo, firmou parceria com a Climatempo para implantar uma rede de estações meteorológicas em seus ativos no estado de São Paulo. A estrutura permitirá acompanhar as condições do tempo em diferentes pontos da rede e identificar eventos que possam representar riscos às linhas de transmissão.

A Argo Energia também adotou estações meteorológicas para monitorar trechos de suas linhas. Em Rondônia, por exemplo, os dados climáticos são relacionados a ocorrências de falhas e interrupções para apoiar a gestão da operação.

Segundo a Climatempo, para as transmissoras, esse tipo de monitoramento permite acompanhar variáveis meteorológicas e ambientais ao longo dos corredores das linhas, identificar trechos mais expostos e analisar ocorrências relacionadas a raios, ventos fortes e queimadas.

No segmento de distribuição, informações meteorológicas também podem ser utilizadas para antecipar tempestades e vendavais, organizar equipes de campo e preparar a operação para possíveis interrupções no fornecimento de energia.

Projeto prevê compartilhamento de dados climáticos

Além das iniciativas individuais, a Climatempo desenvolve, em parceria com empresas do setor elétrico, um projeto de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) regulado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A proposta é criar um hub colaborativo de inteligência climática voltado inicialmente às empresas de transmissão e distribuição. O projeto prevê a implantação, inicialmente no estado de São Paulo, de uma rede para captação de dados por meio de sensores meteorológicos.

As informações serão compartilhadas entre as empresas participantes e a Defesa Civil estadual. A iniciativa pretende reunir dados climáticos calibrados, auditáveis e georreferenciados para apoiar a identificação de riscos e a elaboração de planos de contingência diante de eventos extremos.

“O hub colaborativo de inteligência climática vai permitir a criação de planos de contingência mais efetivos frente aos efeitos do fenômeno El Niño, e a proposta inclui agregar empresas de outras regiões do País e pode, inclusive, evoluir para outros setores como ferrovias e rodovias”, explica Hassan.

Último Super El Niño foi há dez anos

O avanço de um novo El Niño acendeu o alerta máximo no Brasil devido à alta probabilidade de o fenômeno atingir a categoria “Muito Forte” nos próximos meses, algo que ocorreu pela última vez há 10 anos.

Segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), o planeta não enfrenta um evento dessa magnitude desde o biênio 2015/2016, período marcado por desastres globais e severas perdas econômicas.

Caracterizado pelo aquecimento incomum das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno altera drasticamente o clima global; no cenário nacional, a previsão indica excesso de chuvas na Região Sul e estiagem severa em partes do Norte e Nordeste, testando a vulnerabilidade da infraestrutura do país.

Diante desse cenário crítico, o setor elétrico brasileiro intensifica suas operações para proteger as redes de geração, transmissão e distribuição de energia contra o impacto do clima extremo.

O Canal Solar preparou uma cobertura detalhada sobre o tema, inclusive com uma reportagem especial que está disponível gratuitamente na última edição da Revista Canal Solar.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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