Expectativa de chuvas pressionou os contratos com entrega nos próximos meses, enquanto aumento da carga elevou o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) no início da semana.
Os preços da energia apresentaram movimento de baixa na primeira semana de setembro, segundo análise das negociações realizadas na plataforma da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia), que concentra cerca de um terço dos contratos transacionados no mercado livre.
A maior queda foi registrada nos contratos com entrega em outubro. O preço recuou 11,52%, passando de R$ 218,53 para R$ 193,35/MWh. Os produtos com vencimento em novembro e dezembro seguiram o mesmo movimento, com quedas de 7,42% e 7,73%, respectivamente.
Em novembro, o preço passou de R$ 265,10 para R$ 245,44/MWh. Já em dezembro, caiu de R$ 296,19 para R$ 273,28/MWh. Na direção contrária, os contratos para setembro registraram alta de 1,65%, passando de R$ 161,34 para R$ 164,00/MWh.
Segundo a BBCE, o movimento reflete as expectativas de chuvas acima da média histórica no início do mês e o volume de operações para ajuste das posições contratuais.
Curva de preços
A dinâmica das negociações entre 31 de agosto e 4 de setembro provocou uma alteração na inclinação da curva de preços futuros. O fenômeno ocorre quando os contratos mais próximos apresentam alta, enquanto os produtos com vencimentos posteriores recuam.
“No período, voltamos a ver na BBCE o efeito que chamamos de torção de curva, quando existe a alta de um vértice”, explica Eduardo Rossetti, diretor-executivo de Produtos e Relações Institucionais da BBCE.
A elevação das temperaturas aumentou a carga líquida do SIN (Sistema Interligado Nacional) e pressionou os preços no curto prazo. Com isso, o PLD chegou ao pico de R$ 1.611,04/MWh, às 18h, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.
Por outro lado, as expectativas de aumento das chuvas reduziram os preços dos contratos com entrega nos meses seguintes. “Tudo isso em uma semana de virada de mês, que traz, tradicionalmente, movimentação de operações para ajuste de posições para a entrega de energia, o chamado balanço de contratos”, afirma Rossetti.
Os contratos para o quarto trimestre registraram queda de 8,56%, passando de R$ 262,04 para R$ 239,61/MWh. Já o produto para o primeiro trimestre permaneceu em patamar elevado, negociado a R$ 308,76/MWh.
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