A Enel São Paulo anunciou uma série de medidas para reforçar a prevenção e a resposta da rede elétrica aos efeitos previstos do Super El Niño e aos eventos climáticos para o próximo verão.
A distribuidora, que atende cerca de oito milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital, informou que ampliará sua estrutura operacional e os investimentos destinados a aumentar a resiliência da rede.
Entre as principais medidas está o aumento do número de bases operacionais, que passará de 17 para 23 unidades, permitindo mobilizar até três vezes mais equipes em situações críticas.
A reorganização também inclui uma nova unidade territorial dedicada ao ABCD Paulista e bases avançadas para aumentar a capilaridade da operação. “A estrutura de comando também foi reforçada com o NOC (Núcleo de Operações Críticas), dedicado à gestão de clientes críticos e serviços essenciais”, informou a companhia.
O plano de contingência estabelece ainda diferentes níveis de mobilização conforme a severidade prevista dos eventos climáticos e seus possíveis impactos sobre a rede. A preparação começa a partir de boletins meteorológicos com horizonte de até cinco dias.
Segundo a Enel SP, o modelo permite mobilizar profissionais de emergência, manutenção, obras, linha viva, poda, automação, rede subterrânea e outras frentes operacionais com antecedência.
Tecnologia para acelerar a recomposição da rede
Outra medida anunciada é a expansão da comunicação via satélite Starlink para cerca de 700 equipes de atendimento emergencial. Segundo a companhia, a tecnologia permitirá manter a comunicação com os centros de operação mesmo em situações nas quais as redes móveis sejam afetadas por eventos climáticos severos.
Na rede elétrica, a Enel SP prevê instalar mais 2,6 mil equipamentos de telecontrole até o fim de 2026, elevando o total para mais de 14 mil dispositivos.
Esses equipamentos, segundo a empresa, permitem realizar manobras remotamente na rede, reduzindo a necessidade de deslocamento das equipes para determinadas operações e contribuindo para acelerar a recomposição do fornecimento.
Para situações de contingência, a distribuidora também informou que dispõe de quatro subestações móveis, que podem ser deslocadas para regiões afetadas, além de cerca de 700 grupos geradores destinados a apoiar clientes e serviços essenciais durante interrupções.
Último Super El Niño foi há 10 anos: por que o cenário atual preocupa?
O reforço da operação ocorre em meio às projeções para a evolução do El Niño, fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial durante vários meses.
Apesar de ocorrer a milhares de quilômetros do Brasil, essa alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica os padrões de chuva, vento e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Em condições normais, os ventos alísios ajudam a concentrar águas mais quentes na direção da Ásia e da Oceania. Durante o El Niño, esses ventos podem enfraquecer, permitindo que o aquecimento se espalhe pelo Pacífico central e leste.
Como consequência, algumas regiões podem registrar excesso de chuva, enquanto outras enfrentam estiagens e temperaturas mais elevadas. No Brasil, um dos padrões historicamente associados ao fenômeno é o aumento das precipitações no Sul e a redução das chuvas em partes do Norte e Nordeste.
Neste ano, eventos meteorológicos extremos voltaram a colocar em evidência a vulnerabilidade da infraestrutura brasileira diante de condições climáticas severas.
O cenário coincide com o avanço de um novo El Niño, confirmado em junho e que, segundo o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), deverá ganhar intensidade ao longo dos próximos meses.
De acordo com o órgão, as condições observadas no Oceano Pacífico e as projeções dos modelos indicam alta probabilidade de o fenômeno alcançar a classificação de “Muito Forte”, nível máximo utilizado pelo instituto.
A última vez que o planeta enfrentou um episódio dessa magnitude foi há cerca de uma década, entre 2015 e 2016. Naquele período, o forte aquecimento das águas do Pacífico alterou padrões de circulação atmosférica, chuva e temperatura em diferentes continentes, com registros de secas, enchentes, incêndios e perdas econômicas.
Agora, a possibilidade de um novo evento de grande intensidade volta a colocar em alerta órgãos meteorológicos, governos e empresas responsáveis pelas infraestruturas de geração, transmissão e distribuição de energia.
O Canal Solar publicou uma reportagem especial com todos os detalhes sobre o avanço do El Niño e os possíveis impactos sobre o setor elétrico brasileiro na última edição da Revista Canal Solar.
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