GC Solar 22.71 GW GD Solar 50.47 GW
Notícias

Acende Brasil propõe aperfeiçoamentos na estrutura tarifária da MMGD

Estudo destaca a necessidade de adaptar preços à expansão da GD e à evolução das demandas do sistema elétrico

Canal Solar - Acende Brasil propõe aperfeiçoamentos na estrutura tarifária da MMGD

Foto: Imaan Tarbine/Click Solar

O Instituto Acende Brasil propõe, em white paper recente, o aperfeiçoamento dos mecanismos de sinalização de preços, buscando conciliar a continuidade da expansão da Mini e Micro Geração Distribuída (MMGD) com uma integração cada vez mais eficiente ao sistema elétrico.

A justificativa é que a rápida expansão da modalidade, especialmente a solar fotovoltaica, vem ampliando a participação dos consumidores na produção de energia e trazendo benefícios para a diversificação da matriz elétrica, contudo a evolução dessa modalidade coloca novos desafios para a operação das redes e para a estrutura tarifária.

A entidade lembra que a capacidade instalada da MMGD chegou a 43,4 GW ao final de 2025, com predominância da geração solar. Esse crescimento, segundo o estudo, torna mais relevante avaliar como os custos e benefícios proporcionados pelos sistemas de geração distribuída são rateados entre os diferentes usuários da rede.

Descompasso

Um dos principais pontos levantados pelo Instituto é justamente aquele que tem provocado debates mais intensos. Ou seja, a diferença entre o período em que a geração solar ocorre e aquele em que a demanda elétrica é mais elevada. Enquanto os sistemas fotovoltaicos produzem principalmente durante o dia, o consumo tende a alcançar seu maior nível no início da noite.

Com a ampliação da MMGD, essa característica modifica o comportamento da chamada carga líquida — a demanda que precisa ser atendida pelo sistema depois de descontada a geração distribuída. Para o estudo, compreender essa dinâmica será cada vez mais importante para o planejamento da operação e dos investimentos em redes.

O Acende Brasil observa, contudo, que os efeitos da MMGD não são necessariamente iguais em todas as situações. Quando instalada próxima aos centros de consumo, a geração distribuída pode contribuir para reduzir perdas e, em determinadas circunstâncias, postergar investimentos na rede.

Por outro lado, sua concentração geográfica e a coincidência entre períodos de elevada produção podem demandar adaptações da infraestrutura.

Mais flexibilidade

Outro aspecto abordado é a necessidade de aumentar a capacidade de flexibilidade do sistema elétrico diante da expansão das fontes variáveis. O estudo relaciona esse movimento à maior importância de recursos como armazenamento, gestão da demanda e equipamentos capazes de responder às novas condições de operação.

A geração distribuída também pode contribuir para modificar os fluxos de potência nas redes. Em determinadas áreas, a elevada produção solar em períodos de baixa demanda pode resultar em inversão de fluxo e exigir adequações em equipamentos e subestações.

O estudo destaca, nesse contexto, que o sistema elétrico vem recorrendo com maior frequência ao curtailment, ou seja, à redução temporária da geração de determinadas usinas quando há excesso de oferta ou restrições operacionais. Para o Instituto, a evolução coordenada de geração, redes, armazenamento e demais recursos de flexibilidade pode ajudar a administrar esses novos padrões de operação.

Reforma tarifária

No campo econômico, o Acende Brasil defende uma revisão da estrutura tarifária associada à MMGD. A preocupação central é que os mecanismos atuais nem sempre refletem integralmente as diferenças entre os custos e benefícios produzidos pelos consumidores que também geram energia e aqueles que permanecem exclusivamente como consumidores.

O estudo propõe que a revisão prevista na Lei nº 14.300/2022 considere mecanismos capazes de produzir sinais econômicos mais adequados.

Entre as alternativas estão a criação de classes ou subclasses tarifárias específicas para prossumidores; tarifas diferenciadas conforme horários, dias da semana e períodos do ano; cobrança associada à demanda máxima tanto de retirada quanto de injeção; taxas de conexão com sinalização locacional; e um componente fixo destinado à recuperação de determinados custos comerciais e de atendimento.

A diferenciação temporal ganha especial relevância diante do perfil da geração solar. Ao considerar os diferentes momentos de produção e consumo, a tarifa poderia oferecer sinais mais alinhados às condições de utilização da rede, contribuindo para orientar investimentos e decisões dos consumidores.

Sinalização

O estudo não questiona a importância da MMGD na expansão das fontes renováveis. Ao contrário, parte do reconhecimento de que a modalidade continuará desempenhando papel relevante na transformação do setor elétrico.

A proposta é que o avanço seja acompanhado por uma evolução dos mecanismos econômicos e regulatórios que permitam incorporar seus benefícios e administrar seus impactos de forma mais eficiente.

O Instituto defende, portanto, que a reforma tarifária seja orientada por uma sinalização capaz de considerar quando, onde e quanto cada consumidor-gerador utiliza ou injeta energia na rede.

A avaliação é que uma estrutura mais aderente às características do novo sistema poderá contribuir para que a expansão da geração distribuída prossiga de maneira sustentável, ao mesmo tempo em que favorece uma utilização mais eficiente da infraestrutura elétrica. 

Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.

Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

Comentários

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.