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Furtos de energia desviaram 19,6 GWh em Mato Grosso no primeiro semestre

Investigação da Energisa é revelada na sequência de caso semelhante a levantamento realizado pela Light, no Rio de Janeiro

Canal Solar - Furtos de energia desviaram 19,6 GWh em Mato Grosso no primeiro semestre

Foto: Energisa-MT/Divulgação

Inspeções realizadas pela Energisa Mato Grosso, concessionária local de distribuição atende cerca de 1,7 milhão de clientes, identificaram, entre janeiro e junho, 19,6 GWh de energia consumida sem registro – volume equivalente ao consumo mensal de cerca de 90 mil residências.

O combate a ligações clandestinas e fraudes na região já resultaram em 180 prisões neste ano, dentro da Operação Energia Limpa, realizada pela companhia e forças de segurança. Segundo a distribuidora, além das perdas financeiras, as irregularidades podem provocar sobrecarga, curtos-circuitos, incêndios e interrupções que afetam outros consumidores.

A prática também tem consequência jurídica direta: o furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena prevista de até seis anos de reclusão, além da obrigação de arcar com os valores do consumo não faturado.

Caso Light expôs dimensão no Rio

O episódio em Mato Grosso dá sequência ao caso da Light, divulgado pelo Canal Solar no começo deste semana. A distribuidora estima que, em sua área de concessão, 36 a cada 100 clientes regulares furtam energia, com prejuízo anual calculado em aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

A dimensão também aparece na energia recuperada. Até agosto, a empresa havia regularizado mais de 179 mil ligações clandestinas e recuperado 259 GWh, volume estimado como suficiente para abastecer 95 mil residências durante um ano.

Light estima 36 casos de furto de energia no RJ para cada 100 clientes regulares

Problema nacional

Os números estaduais refletem um problema de alcance quase generalizado. O relatório mais recente da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) aponta que as perdas totais na distribuição alcançaram 14,3% de toda a energia injetada no sistema brasileiro em 2025. Esse gargalo gerou um custo total de R$ 23,2 bilhões para o setor elétrico.
Desse montante, as perdas não técnicas (furtos, fraudes e “gatos”) somaram 45 TWh, gerando um prejuízo real estimado em R$ 11,5 bilhões. O levantamento mostra ainda forte concentração: dez distribuidoras respondem por 76,2% dessas irregularidades no país, com destaque para a Light e a Amazonas Energia, que, juntas, representam 31,2% do volume nacional.
Para cobrir o custo dessas perdas comerciais aceitas dentro dos limites regulatórios, os consumidores brasileiros arcaram com cerca de R$ 7,9 bilhões diretamente repassados para as tarifas de luz. O restante do prejuízo (R$ 3,58 bilhões) foi barrado pela agência e absorvido pelas próprias concessionárias por ineficiência.

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Antonio Carlos Sil
Sobre o autor
Antonio Carlos Sil

Antonio Carlos Sil é jornalista formado pela FMU/FIAM. Atuou como repórter pela Brasil Energia, além de serviços prestados para Agência Estado, Exame e Canal Energia. Trabalhou em assessorias de comunicação da CPFL Energia, CESP e AES Tietê. Cobre setor elétrico desde 2000. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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