O encerramento dos incentivos fiscais para fontes renováveis está impulsionando uma corrida por projetos solares e eólicos nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, gargalos relacionados à mão de obra, equipamentos e licenciamento começam a pressionar os cronogramas dos desenvolvedores.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o volume de usinas solares e eólicas em construção cresceu mais de 50% desde o início de 2025, com base em dados da consultoria energética Cleanview.
O movimento ocorre diante das mudanças previstas no chamado “Big Beautiful Bill”, programa que concede créditos fiscais para projetos de geração renovável. Para garantir o acesso aos benefícios, os empreendimentos precisam iniciar as obras até 4 de julho e comprovar continuidade na construção.
De acordo com desenvolvedores, diversos projetos acabaram ficando inviáveis economicamente diante das novas condições. Um dos principais entraves envolve o processo de licenciamento para implantação das usinas.
Mesmo quando os empreendimentos são instalados em áreas privadas, muitas vezes é necessário obter autorizações para atravessar terras públicas e viabilizar a conexão ao sistema de transmissão.
Segundo agentes do setor, esse processo, que anteriormente levava cerca de um mês, passou a enfrentar atrasos maiores após medidas adotadas pelo governo Trump que dificultaram o avanço de projetos renováveis.
Além das questões regulatórias, o setor também enfrenta escassez de equipamentos e falta de mão de obra qualificada.
A cadeia de suprimentos de transformadores, por exemplo, opera sob forte pressão, impulsionada pelo aumento da demanda de desenvolvedores de data centers, que disputam componentes considerados essenciais para a infraestrutura elétrica.
Brasil também enfrentou corrida por projetos renováveis
O cenário brasileiro apresenta paralelos com o movimento observado nos Estados Unidos. O fim dos descontos nas tarifas de uso do sistema de transmissão e distribuição provocou uma corrida por outorgas após a publicação da Lei nº 14.120/2021.
Embora a legislação não tenha encerrado imediatamente os incentivos, foi criada uma regra de transição. Para preservar os descontos de 50% na TUST/TUSD, os empreendimentos precisavam solicitar a outorga até 2 de março de 2022 e iniciar a operação comercial em até 48 meses após a emissão da autorização.
Com isso, desenvolvedores aceleraram a busca por outorgas para garantir o benefício tarifário. Nos anos seguintes, porém, parte relevante desses projetos passou a enfrentar dificuldades econômicas, desafios de conexão e limitações de infraestrutura.
Diante desse cenário, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) precisou criar mecanismos para permitir a devolução de projetos sem aplicação de penalidades. Um dos principais exemplos foi o chamado “dia do perdão”, instituído por meio da Resolução Normativa nº 1.065/2023.
Na ocasião, os pedidos protocolados superaram a marca de 100 GW em capacidade instalada. Além das questões financeiras, fatores como o aumento do curtailment e a falta de disponibilidade de linhas de transmissão têm pressionado a viabilidade de novos empreendimentos renováveis no país, levando diversos agentes a desistirem dos projetos.
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