A Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais) deu início à que é considerada a maior chamada pública de biometano já realizada pela empresa. O objetivo é contratar até 250 mil metros cúbicos por dia de combustível renovável, que será destinado ao abastecimento da região do Triângulo Mineiro.
O processo prevê contratos com vigência de dez anos e integra a estratégia da distribuidora de ampliar a participação do biometano em sua carteira de suprimentos. A chamada foi estruturada para permitir diferentes modelos de entrega.
Além da futura injeção do combustível em uma rede de distribuição a ser implantada na região, os fornecedores poderão utilizar o chamado gasoduto virtual, modalidade baseada no transporte rodoviário do biometano.
Segundo a companhia, o modelo permite que projetos entrem em operação antes da conclusão da infraestrutura física de dutos, reduzindo o intervalo entre os investimentos e o início da geração de receita.
Caso todo o volume previsto seja efetivamente contratado, a iniciativa poderá posicionar Minas Gerais entre os principais polos produtores de biometano do país. A estratégia também marca a entrada da Gasmig em contratações de escala comercial no segmento, em linha com as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro.
Foco da expansão
A escolha do Triângulo Mineiro como região prioritária está relacionada à combinação entre elevada atividade agroindustrial, disponibilidade de resíduos orgânicos e concentração de demanda industrial.
Segundo a Gasmig, a região reúne usinas sucroenergéticas, polos de avicultura, suinocultura e laticínios com potencial para produção de biogás e posterior purificação em biometano.
A companhia também destaca que o combustível renovável pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, além de abrir espaço para a valorização dos atributos ambientais associados ao produto.
A chamada prevê, inclusive, mecanismos específicos relacionados à precificação do atributo verde do combustível, aproximando fornecedores e compradores dos mercados de carbono e dos certificados de garantia de origem regulamentados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Mercado responde
A iniciativa despertou interesse de grupos nacionais e internacionais ligados aos setores de energia, gestão de resíduos, infraestrutura e biocombustíveis.
Segundo informações do mercado, vários grupos já apresentaram propostas à chamada pública da distribuidora mineira. Entre eles estão a BP, Mitsui, Solví, Bioo e Regera, bem como Logás e a Gás Verde.
Além da aquisição do combustível renovável, a distribuidora também deverá avaliar investimentos necessários para conectar as futuras plantas produtoras à sua infraestrutura de distribuição.
O plano contempla tanto a expansão da rede física quanto soluções logísticas para o transporte do biometano por meio de caminhões. A movimentação ocorre em um contexto de crescente atenção ao biometano dentro da política energética brasileira.
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