O estado do Acre tem potencial para contar com uma solução tecnológica de ponta para solucionar gargalos históricos no abastecimento elétrico das localidades de Feijó e Cruzeiro do Sul.
A região poderá ser pioneira na implementação de um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) com tecnologia “grid-forming”, possibilitando desta forma que o fornecimento de eletricidade não vá depender apenas da infraestrutura atual, que tem registrado interrupções momentâneas.
A proposta visa oferecer uma resposta rápida a falhas no sistema e aumentar a flexibilidade operativa no extremo oeste do país. O modelo tecnológico em foco baseia-se em um estudo técnico que acaba de ser concluído pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
A análise identificou que a solução de armazenamento é técnica e economicamente superior à contratação de novas UTEs (usinas termelétricas) nos municípios de Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó.
Um dos problemas centrais detectados é que as térmicas locais não possuem capacidade de operação sincronizada com a rede, o que as torna ineficazes para evitar quedas imediatas de energia após contingências. Em contrapartida, as baterias possuem uma resposta quase instantânea para equilibrar o sistema.
Tecnologia formadora de rede
Para o curto prazo, o planejamento indica a instalação de um sistema de baterias de 100 MW de potência e 200 MWh de capacidade de energia. Este equipamento seria conectado ao barramento de 69 kV da Subestação Cruzeiro do Sul e passaria a operar como grid-forming.
Diferente de sistemas convencionais, essa tecnologia atua como uma referência para a rede elétrica, podendo prestar serviços ancilares e operar de forma independente, o que é estratégico para uma região que hoje carece de geração centralizada que possa ser despachada conforme a necessidade,.
O estudo da EPE utilizou ferramentas avançadas de modelagem, como o software PowerFactory, para simular o comportamento das baterias hora a hora. Foram testados diversos ciclos de carga e descarga para garantir que, em situações de emergência, o sistema de armazenamento consiga suprir as cargas locais e interagir perfeitamente com a rede de transmissão.
Respeito socioambiental
Além das baterias, a solução recomendada contempla um horizonte estrutural com a expansão da rede de transmissão em 230 kV. Estão previstos 640 km de novas linhas conectando Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul.
Um aspecto crítico deste projeto é a atenção às áreas ambientalmente sensíveis. O traçado das novas linhas buscará aproveitar estruturas de circuito duplo já existentes para minimizar a abertura de novas faixas em terrenos complexos.
Essa estratégia de engenharia foi desenhada especificamente para reduzir o impacto na Terra Indígena Campinas/Katukina. Ao utilizar infraestruturas pré-concebidas com requisitos especiais para evitar quedas de torres, o projeto diminui tanto o risco de atrasos no licenciamento quanto os impactos socioambientais diretos nessas comunidades.
Investimentos e referência
O montante total para a execução deste plano de modernização no Acre está estimado em aproximadamente R$ 925,22 milhões. Desse valor, cerca de R$ 230,48 milhões serão destinados especificamente à solução de armazenamento por baterias, enquanto R$ 694,74 milhões custearão as obras de ampliação da rede de transmissão.
Estes valores consideram os benefícios tributários do regime REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura). Caso a tributação fosse integral, o custo total poderia subir para cerca de R$ 397,6 milhões apenas para o sistema de baterias,.
Essa transição tenderá a reduzir significativamente a necessidade de queimar combustíveis fósseis em termelétricas locais, além de consolidar o uso de baterias de grande porte como uma solução robusta para aumentar a confiabilidade em regiões remotas.
Huawei
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve na última sexta-feira (23), em Xangai, na China, com representantes da Huawei. O foco do encontro foi o uso de sistemas de armazenamento de energia e a participação de empresas chinesas no leilão de baterias, com previsão de realização no Brasil ainda em 2026.
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