Embora a IA (inteligência artificial) ganhe cada vez mais espaço nas estratégias de empresas de serviços essenciais, como as do setor de energia elétrica, transformar o interesse pela tecnologia em resultados concretos ainda é um desafio.
O cenário foi apresentado por Daniel Martins, sócio da PwC Strategy&, durante um encontro promovido pela CNEX, plataforma brasileira de transformação executiva.
Segundo os dados apresentados pelo executivo, cerca de 94% a 96% dos líderes empresariais já reconhecem a importância da IA para suas operações, mas apenas 20% afirmam ter iniciativas efetivamente em funcionamento. No setor de energia, o desafio vai além da automação de tarefas.
De acordo com a análise apresentada, energia e infraestrutura estão entre os segmentos menos expostos a ganhos de produtividade do trabalho por meio da IA, o que direciona as oportunidades para a eficiência dos ativos, a melhoria das decisões e a execução de processos.
Aplicações práticas e resultados
Entre os exemplos apresentados no encontro, uma empresa de serviços essenciais, com cerca de dois mil colaboradores, relatou ganhos de produtividade após implementar 20 assistentes de IA para apoiar suas equipes.
Em outro caso, a utilização da tecnologia em atividades de programação e especificação funcional resultou em uma redução de 60% nos custos de projetos de tecnologia em seis meses.
Os exemplos mostram como a IA pode contribuir para otimizar processos e reduzir custos. Entretanto, a efetividade da tecnologia depende da escolha das aplicações e da capacidade das empresas de integrá-la às suas operações.
Principais gargalos
Entre os principais desafios estão os limites da automação e a necessidade de capacitação dos profissionais, uma vez que automatizar processos não significa, necessariamente, eliminar a intervenção humana ou melhorar a experiência do cliente.
Além disso, segundo as discussões realizadas no encontro, disponibilizar ferramentas de IA não é suficiente para garantir ganhos de produtividade. É necessário preparar as equipes para utilizar a tecnologia de forma estratégica e alinhada às necessidades do negócio.
“A adoção da IA está entrando em uma etapa de priorização. Em utilities, o potencial da tecnologia não está apenas em automatizar tarefas, mas em apoiar decisões mais rápidas e precisas, melhorar a eficiência operacional e ampliar a capacidade das empresas de responder a um ambiente cada vez mais complexo. O próximo passo é transformar o interesse em casos de uso capazes de gerar impacto mensurável para o negócio”, disse o executivo.”, disse Douglas Souza, CEO da CNEX.
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