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‘Incentivos do governo e regulamentação são chaves para o avanço do mercado’

Zilda Costa, diretora de Desenvolvimento de Negócios de Armazenamento na UCB, comenta os desafios do futuro do armazenamento no Brasil

Autor: 27 de fevereiro de 2024Entrevistas
8 minutos de leitura
‘Incentivos do governo e regulamentação são chaves para o avanço do mercado’

Foto: BESS UCB - Filial de Extrema/Minas Gerais

A expectativa do mercado de armazenamento no Brasil para 2024 é promissora, foi o que afirmou Zilda Costa, diretora de Desenvolvimento de Negócios de Armazenamento da UCB, em entrevista exclusiva ao Canal Solar.

Para Zilda, diretora de Desenvolvimento de Negócios de Armazenamento da UCB e vice Presidente da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), com a inserção cada vez maior no setor elétrico de energias renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, a importância do armazenamento em baterias para a operação do sistema elétrico é crucial, inclusive com a possibilidade de atendimento aos critérios de despachabilidade destas usinas, atendimento aos requisitos de capacidade e flexibilidade e dos serviços ancilares.

A tendência cada vez mais forte de gerar energia junto à carga, também alavanca o mercado de armazenamento. Para a diretora, as questões de políticas climáticas podem ser um dos aceleradores da escala do armazenamento por baterias de LFP (lítio ferro fosfato) e contribuir para a redução do uso das térmicas.

“Temos o compromisso em realizar a COP30 em 2025 em Belém, portanto, precisamos ainda em 2024, com apoio do armazenamento de energia, reduzir o uso das térmicas, o uso do diesel e reduzir a injustiça energética com as comunidades isoladas da Amazônia”, destacou Zilda.

Quais os principais fatores que podem impactar positiva ou negativamente este cenário?

A demanda por lítio mundial para BESS (Batery Energy Storage Systems) concorre inclusive com o fornecimento de lítio para os veículos elétricos mundial. 

Este seria um dos pontos, a cadeia produtiva do lítio. Outro ponto seria a cadeia  logística mundial, diretamente relacionada com o fornecimento de materiais.  Gargalos nesta cadeia afetam diretamente a indústria brasileira. 

Os pontos que concorrem positivamente são basicamente três, referem-se aos fatores que impulsionam o uso do armazenamento: 

  • O nosso pacto de mitigar as emissões de gases de efeito estufa, que fazem  parte da agenda 2030 da ONU;  
  • A necessidade da indústria de ações de eficiência energética e produção  com baixas emissões; e 
  • A autonomia energética e segurança de fornecimento para pequenos  comércios e residências nas cidades e nas comunidades isoladas. 

Qual o panorama de fundo do armazenamento no Brasil?

Para mim o panorama de fundo do armazenamento no Brasil junto ao grid, é a necessidade de atender à demanda. 

O montante de energia (potência) que o sistema precisa em determinado momento, pode ser atendido por uma tecnologia já implementada em diversos países, que é o armazenamento por baterias em larga escala. Sistemas maiores capazes de realizar a eficiência da rede, ou seja, guardar energia quando não é necessária e  recolocar para uso quando necessário. 

A bateria de íons lítio tem densidade energética muito superior à sua precursora de chumbo, além da vida útil muito superior, fazendo com que se eleve a busca para compor projetos off grid de sistemas híbridos como Solar FV+Diesel+Baterias. 

Existem diversos tipos de armazenamento de energia, por exemplo, alguns reservatórios de regularização de hidrelétricas, que funcionam como baterias, pois tem capacidade para armazenar o recurso em alguns momentos e turbinar em outros. 

Importante contextualizar que estamos falando apenas dos sistemas de armazenamento por baterias com a composição química de LFP. 

Existem tendências ou inovações específicas que você considera cruciais para o desenvolvimento desse setor nos próximos anos?

As demandas por baixa emissões de gases de efeito estufa, as políticas públicas e  regulamentações serão os incentivadores para os novos negócios, novas demandas  e investimentos em tecnologia. 

Projetos de redução estrutural de custos de geração de energia na Amazônia Legal podem alavancar o desenvolvimento do setor nos próximos 10 anos. 

O setor também pode contar com os recursos destinados à descarbonizarão, que são aprovados pelo Comitê Gestor no MME para redução do uso do óleo diesel. 

Desta forma o projeto utiliza uma fonte renovável (solar, hidrogênio verde, biogás) associada ao armazenamento por baterias. 

Importante mencionar que o armazenamento por baterias viabiliza o equilíbrio das usinas híbridas (diesel + solar fotovoltaica, por exemplo) e a otimização do sistema, reduzindo os custos e % de uso do diesel. 

Uma outra oportunidade para o setor, seria a mobilidade fluvial com a utilização de baterias LFP em embarcações para a navegabilidade dos rios Tocantins, Madeira, Rio Negro e o Solimões, por exemplo.  

Quais as projeções para o mercado de armazenamento no curto, médio e longo prazo, para o cenário até 2030?

Incentivos governamentais e regulamentação são de suma importância para o investimento e o crescimento deste mercado.

Haverá uma janela estratégica para o armazenamento que são os leilões de reserva de capacidade, leilões de serviços ancilares, programas de descarbonizarão e leilões do sistema isolado.

É necessário que a ANEEL escreva como será a inserção das baterias no GRID e a forma de remunerá-las.

Algumas tendências internacionais poderiam moldar o setor de armazenamento no Brasil, como por exemplo, mercado de energia do Texas e da Califórnia.

A tecnologia LFP é uma tecnologia madura, amplamente testada no mundo todo, e agora requer os olhares dos órgãos reguladores do setor elétrico para os benefícios junto às redes de distribuição e transmissão.

Já para o uso residencial, sistemas de pequeno porte, solar + baterias, sua utilização em massa ainda precisa ser motivada pela demanda dos consumidores, seja na busca pela segurança energética ou mesmo pela redução dos custos de energia.

Este mercado (residencial) para mim é o maior mercado de todos, pois cada casa pode ser uma micro usina de geração de energia com armazenamento.

Quais são os desafios e oportunidades nesse cenário?

Um dos desafios é a questão da disponibilidade, a carga e a descarga da bateria, o despacho. É um fator importante para a aplicação das baterias.

As baterias para a mobilidade elétrica também tem o desafio da recarga. O tempo de recarga, mesmo com uso de carregadores super rápidos (que são extremamente caros), ainda é um desafio.

A disponibilidade destes carregadores é outro fator crucial, pois será necessário  instalar em todas as cidades e rodovias, porém também será necessário responder  quem vai pagar por eles ou como serão remunerados.

Já no campo das oportunidades, vejo que o potencial de escala do mercado de armazenamento de energia tem estimulado projetos de P&DI (perquisa e desenvolvimento) e pesquisas nas universidades em busca de novas químicas.

Aprimorar as baterias existentes e também desenvolver novas tecnologias de baterias tem dominado os centros tecnológicos.

Como você avalia a tendência dos custos de produção e importação para o mercado de armazenamento nos próximos anos?

A China já fabrica três quartos das baterias de lítio do mundo. Esta escala lhe  confere redução de custos e parcela significativa de fornecedores mundiais de lítio.

O desafio continua o mesmo de alguns outros setores industriais, cadeia produtiva local, logística e competitividade com produtos importados.

A UCB tem fábrica em Manaus e Extrema. Ela produz baterias de LFP (portáteis  para os celulares ou estacionárias para os sistemas de armazenamento). Isto já é,  em si, uma dianteira para o fortalecimento da indústria nacional.

Alguns próximos passos importantes para o Brasil seria a cadeia nacional de lítio e  o investimento na produção local de baterias de sódio.

Não é só uma questão de preço. A produção local traz a segurança da qualidade na montagem, garantia, pós venda, atendimento ao consumidor, treinamentos e suporte no Brasil.

Precisamos investir em armazenamento de energia para contribuir com parte da  solução de vários problemas do setor energético brasileiro.

Para finalizar, eu gostaria de deixar uma frase apenas. É preciso fazer acontecer!.


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Yvana Leitão

Yvana Leitão

Produtora do Podcast Papo Solar. Possui experiências em matérias jornalistas para revista e para site, e entrevistas. Graduanda em jornalismo pela Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação de Campinas.

Um comentário

  • José Augusto Simão Felgas disse:

    Com as novas tecnologias dos Acumuladores não ocorrerá impacto há médio e longo prazo para os projetos de armazenamento de energia.
    Ainda há outras opções para a utilização do Armazenamento, além de ajudar nos sistemas de captação de energia eólica e solar. Há um potencial à ser explorado, que viabiliza o investimento nos Sistema de Armazenamento de Energia.

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