Com 44,6 km de extensão e investimento superior a R$ 1,1 bilhão, o Projeto Riacho Grande, inaugurado no fim de março no estado de São Paulo, passou a integrar a infraestrutura de transmissão em uma das regiões com maior consumo de energia do país.
Embora o Brasil já conte com outras linhas subterrâneas em operação, o diferencial deste empreendimento está na sua escala: é o maior do país no segmento. A infraestrutura combina linhas subterrâneas e aéreas em 345 kV, além da nova Subestação São Caetano do Sul, com capacidade instalada de 800 MVA.
Desenvolvido pela ISA Energia, o projeto foi energizado cinco meses antes do prazo previsto pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Durante as obras, foram gerados cerca de 2.200 empregos diretos e indiretos.
A linha subterrânea conecta a capital paulista à região do ABC, ampliando a capacidade de atendimento à demanda em uma área marcada por alta densidade de carga e crescimento industrial.
O projeto também inclui 9 km de linhas aéreas e a ampliação de subestações existentes, como Miguel Reale e Sul, além de estruturas como uma torre de 120 metros de altura próxima à Represa Billings e a interligação com subestações.
Com a nova configuração, a energia proveniente da Usina de Itaipu passa a atender diretamente o ABC e parte da capital paulista. A interligação busca reduzir riscos de sobrecarga e aumentar a confiabilidade do sistema, especialmente em cenários de estresse, como picos de consumo e eventos climáticos extremos.
Obra em ambiente urbano

A execução de mais de 40 km de linhas subterrâneas em uma região metropolitana trouxe desafios relevantes de engenharia e logística. As obras foram realizadas com foco na redução de impactos ao tráfego e à população, em um contexto de alta complexidade urbana.
A Subestação São Caetano do Sul, construída em uma área de 11.800 m², utiliza tecnologia GIS (Gas-Insulated Switchgear), solução comum em áreas urbanas por demandar menos espaço e apresentar menor nível de ruído. A unidade atende mais de 2 milhões de pessoas.
Outro ponto do projeto é a instalação de três transformadores de 400 MVA cada, sendo dois em operação contínua e um em reserva. Além disso, os cabos subterrâneos contam com sistemas de monitoramento em tempo real, voltados à operação e manutenção da rede.
Papel no sistema elétrico
A entrada em operação do empreendimento ocorre em um momento de aumento da demanda por energia e de maior pressão sobre o sistema de transmissão, especialmente em regiões metropolitanas.
Na avaliação do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), projetos dessa natureza contribuem para ampliar a flexibilidade operativa e a segurança do SIN (Sistema Interligado Nacional), sobretudo em áreas com elevada concentração de carga.
Já o MME (Ministério de Minas e Energia) destaca que a expansão da transmissão é um dos pontos-chave para acompanhar o crescimento do consumo e viabilizar a integração de novas fontes de geração ao sistema.
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