Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (15) pela ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) aponta que 2025 foi um ano de retração para o setor de energia solar no Brasil. Segundo a entidade, o mercado registrou queda de 29% na potência adicionada, incluindo as grandes usinas e os pequenos sistemas nos telhados e terrenos, com 10,6 GW em 2025 em relação aos 15 GW registrados no ano anterior.
Os investimentos em novos projetos fotovoltaicos em 2025, tanto na GC (geração centralizada) quanto na GD (geração distribuída), também foram menores em comparação ao ano anterior, saindo de um patamar de R$ 54,9 bilhões em 2024 para R$ 32,9 bilhões, o que representa uma queda de 40% entre os períodos.
Na avaliação da ABSOLAR, a retração do mercado está ligada aos prejuízos financeiros impostos aos grandes geradores, resultado da falta de ressarcimento pelos recorrentes cortes de geração sofridos. Já nos pequenos e médios sistemas fotovoltaicos, os obstáculos de conexão sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência são a principal causa da desaceleração, segundo a ABSOLAR.
Adicionalmente, a Associação pontua que o mercado fotovoltaico nacional enfrentou um cenário macroeconômico desfavorável no último ano, como alto custo de capital para crédito, alta volatilidade do dólar e alíquotas elevadas no imposto de importação de equipamentos.
Empregos, potência instalada e participação na matriz
Mesmo com investimento menor, o setor gerou mais de 319,8 mil empregos verdes em 2025 no Brasil, espalhados por todas as regiões do território nacional. Desde 2012, a fonte solar trouxe ao país mais de R$ 282,6 bilhões em investimentos acumulados e mais de 1,9 milhão de novos postos de trabalho.
Dos 10,6 GW adicionados no último ano, a GD foi responsável por 7,8 GW, enquanto a geração centralizada trouxe um incremento de 2,8 GW. No acumulado desde 2012, o Brasil possui 63,7 GW de potência operacional da fonte solar, sendo 43,7 GW de geração distribuída e 20 GW de geração centralizada.
A capacidade instalada da fonte solar no Brasil representa 24,5% da potência instalada da matriz elétrica nacional, posicionando a solar como a segunda maior fonte do país, atrás somente das usinas hidráulicas – que detém mais de 40% de participação.
Atualmente, as grandes usinas solares operam em 27 estados brasileiros, em todas as regiões do País. Os investimentos acumulados neste segmento desde 2012 ultrapassam R$ 88 bilhões, com a arrecadação aos cofres públicos superando os R$ 29,1 bilhões.
No segmento de GD, no mesmo período, são mais de R$ 196 bilhões em investimentos, R$ 59,7 bilhões em arrecadação e mais de 1,3 milhão de empregos acumulados. A modalidade está presente nas cinco regiões do Brasil e a tecnologia solar é utilizada atualmente em 99,98% de todas as conexões de geração própria no País.
Energia solar segue forte mesmo com retração
O CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, destaca que, mesmo diante da retração observada no mercado solar em 2025, a fonte fotovoltaica segue tendo papel fundamental no atendimento à sociedade com energia limpa, competitiva e resiliente, especialmente em períodos de maior calor, aumento da demanda e níveis mais baixos dos reservatórios hidrelétricos.
“Esse cenário reforça a importância de o setor avançar em inovação, eficiência e novos modelos de negócios. A combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação do sistema elétrico e contribuir de forma ainda mais consistente para o desenvolvimento do Brasil”, disse ele.
Sauaia complementou: “A fonte solar tem o menor preço de geração de eletricidade do país e ajuda a aumentar a competitividade dos setores produtivos, com mais economia e redução de gastos aos consumidores em geral”, acrescenta Sauaia.
Para Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, a energia solar continua sendo uma tendência global irreversível e um pilar central do processo de descarbonização das economias, inclusive no atendimento às novas demandas de datacenters, inteligência artificial, mobilidade elétrica e inteligência artificial.
“O momento atual exige que as empresas do setor se adaptem, diversifiquem suas soluções e explorem novas frentes de atuação, como o armazenamento de energia. O Brasil possui um dos melhores recursos solares do planeta, o que cria condições únicas para que o País se consolide como um hub global de energia limpa e inovação tecnológica”, conclui Koloszuk.
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