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Promessa do governo, solar no Minha Casa, Minha Vida segue travada

Iniciativa popular permanece sem execução passados quase dois anos do anúncio do projeto

Promessa do governo, solar no Minha Casa, Minha Vida segue travada

Foto: Divulgação/CDHU/SDUH

O programa do Governo Federal voltado à redução dos gastos com energia elétrica das famílias atendidas pelo Minha Casa, Minha Vida, por meio da instalação de sistemas solares fotovoltaicos, ainda não saiu do papel. A iniciativa permanece sem execução passados mais de 19 meses da publicação do Decreto nº 12.084, de junho de 2024.

Sob coordenação do MCID (Ministério das Cidades) e do MME (Ministério de Minas e Energia), o programa previa investimentos da ordem de R$ 3 bilhões para a instalação de sistemas fotovoltaicos em até 500 mil unidades habitacionais até 2027.

Em resposta ao Canal Solar, o MME informou que a iniciativa se encontra em “fase de regulamentação” e de “alinhamento entre os órgãos envolvidos”.

“O Ministério de Minas e Energia informa que a inserção de sistemas de geração de energia solar no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida é uma pauta relevante e que vem sendo tratada de forma integrada pelo Governo do Brasil”, disse em nota.

Minha Casa, Minha Vida receberá R$ 3 bilhões para energia solar 

Atualmente, a conta de energia elétrica figura entre os principais custos das famílias brasileiras, com impacto ainda mais significativo sobre a população de baixa renda. Dados do IBGE indicam que essas famílias destinam, em média, cerca de 18% da renda mensal ao pagamento da fatura de eletricidade.

Na avaliação da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), a iniciativa representa um passo relevante para a democratização do acesso à energia solar no maior programa habitacional do país.

No entanto, segundo a entidade, ainda não há registros de contratações de habitações do Minha Casa, Minha Vida contempladas com sistemas fotovoltaicos. O alerta foi feito por Rodrigo Sauaia, presidente da associação.

“Esta situação é preocupante, uma vez que estamos no último ano do atual mandato presidencial. Até o momento, ainda não há regras claras implementadas pelo governo federal sobre os critérios de execução, cronograma ou recursos públicos alocados para a efetiva instalação desses sistemas, o que põe em risco a concretização deste compromisso”, disse.

A ABSOLAR destaca que sistemas fotovoltaicos bem dimensionados podem reduzir de forma significativa os gastos com eletricidade, inclusive entre consumidores de baixa renda. Em muitos casos, a economia pode chegar a cerca de 70% na fatura mensal residencial, a depender do perfil de consumo e da capacidade instalada.

O que prevê o programa?

O Programa Energia Limpa no Minha Casa, Minha Vida tem como objetivo ampliar o acesso de unidades habitacionais de baixa renda à geração de energia elétrica renovável, promovendo o uso eficiente da energia e contribuindo para a sustentabilidade financeira das famílias beneficiadas.

São elegíveis ao programa as seguintes faixas de renda:

  • Urbano 1: renda bruta familiar mensal de até R$ 2.640,00
  • Urbano 2: renda bruta familiar mensal entre R$ 2.640,01 e R$ 4.400,00
  • Faixa Rural 1: renda bruta familiar anual de até R$ 31.680,00

De acordo com o decreto, os volumes excedentes de energia produzidos pelos sistemas solares poderão ser adquiridos pelas distribuidoras ou comercializados com órgãos públicos, conforme regulamentação da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O texto também previa que, a partir de 31 de dezembro de 2025, o programa passaria a priorizar unidades habitacionais certificadas no âmbito do PBE Edifica (Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações).

Outro compromisso estabelecido era a definição de metas anuais de instalação pelos ministérios das Cidades e de Minas e Energia – o que, até o momento, não ocorreu. O MME afirmou que segue acompanhando a pauta dentro de suas competências, em articulação com os demais ministérios envolvidos.

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Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

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