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BESS para cada perfil: quando o armazenamento faz sentido para cada cliente? 

No Papo Solar, executivos da GoodWe falaram sobre evolução do armazenamento no Brasil, com foco no mercado C&I

Canal Solar - BESS para cada perfil_ quando o armazenamento faz sentido para cada cliente

Thiago Guimarães e Gabriel Reversi, da GoodWe, participaram do Podcast Papo Solar. Foto: Canal Solar

Os sistemas de armazenamento de energia por baterias vêm ampliando seu espaço no mercado C&I (comercial e industrial), mas a escolha da solução não deve começar pelo equipamento ou pela capacidade da bateria. Antes disso, é necessário entender o perfil de consumo e, principalmente, qual problema energético do cliente precisa ser solucionado.

Esse foi um dos pontos discutidos no episódio 190 do Papo Solar, que recebeu Thiago Guimarães, Diretor de Vendas da GoodWe, e Gabriel Reversi, Gerente de Soluções da GoodWe, para um debate sobre a evolução do armazenamento de energia no Brasil e as oportunidades para integradores.

Durante a conversa, os executivos destacaram que praticamente qualquer consumidor pode apresentar uma necessidade relacionada ao armazenamento, mas as aplicações são diferentes. Entre as possibilidades estão backup, arbitragem de energia, load shifting, peak shaving e sistemas voltados a locais com limitações de fornecimento pela rede.

Por isso, segundo os especialistas, o primeiro passo para um integrador não deveria ser definir qual BESS será vendido, mas identificar a necessidade do consumidor e, a partir dela, dimensionar a solução. Essa diferença fica mais clara quando são analisados diferentes perfis de consumidores.

Faculdades: nem todo backup precisa ser instantâneo

Em uma faculdade, por exemplo, os profissionais destacaram que uma interrupção de poucos segundos antes da entrada das baterias pode não comprometer a atividade desenvolvida no local.

Segundo Reversi, dependendo da aplicação, é possível utilizar uma chave de transferência para isolar a rede e permitir que o sistema de armazenamento passe a alimentar as cargas.

Ou seja, nem toda aplicação de backup exige uma transição praticamente instantânea entre a rede e as baterias. “Se (a energia) piscar, desligar e depois de um ou dois segundos entrar, não vai ter problema. Para uma faculdade, o backup não é uma transição emergencial”, explicou Reversi.

Granjas: poucos minutos sem energia podem gerar grandes perdas

A situação muda quando o consumidor analisado é uma granja. Durante o podcast, os executivos citaram projetos nos quais sistemas fotovoltaicos existentes podem ser adaptados com inversores híbridos e baterias.

Em um dos exemplos apresentados, uma instalação com 75 kW poderia demandar apenas 30 minutos ou uma hora de autonomia, dependendo das necessidades da operação. O ponto central, entretanto, não está apenas na duração do backup, mas nas consequências de uma interrupção. Em granjas, sistemas de climatização e ventilação precisam permanecer em funcionamento.

No caso de aves menores, alterações significativas de temperatura podem ser críticas. Com animais maiores, a paralisação dos exaustores também pode comprometer a retirada de gases acumulados no ambiente. Ou seja, tipo de aplicação a análise econômica do armazenamento precisa considerar também o prejuízo potencial causado pela indisponibilidade de energia.

Indústrias: quanto custa uma hora de produção parada?

Essa mesma lógica ganha mais importância no setor industrial. Durante o programa, os profissionais chamaram atenção para uma pergunta que nem sempre entra nos cálculos de retorno do investimento: quanto uma empresa perde quando fica uma hora sem energia?

Dependendo da atividade, uma interrupção pode provocar perda de matéria-prima, paralisação de máquinas e exigir novos procedimentos antes da retomada da produção. Nesse cenário, os sistemas de armazenamento podem combinar diferentes aplicações, como backup, peak shaving e load shifting, estratégia que pode contribuir para a viabilidade econômica do projeto.

Supermercados: armazenamento pode reduzir custos nos horários mais caros

Já para supermercados e outros consumidores com grande consumo de energia, uma das aplicações discutidas foi a arbitragem tarifária. A estratégia consiste em carregar as baterias nos períodos em que a eletricidade apresenta menor custo e utilizar a energia armazenada nos horários de ponta.

Segundo Guimarães, existem situações em que a diferença entre os valores da energia nos horários de ponta e fora de ponta pode chegar até 16 vezes. Nesses casos, a estrutura tarifária pode criar condições mais favoráveis para a análise econômica do armazenamento.

Os executivos utilizam justamente um supermercado como exemplo para explicar como a curva de carga e a fatura de energia podem ser utilizadas na identificação desses períodos.

Nesse processo, eles explicam que o integrador pode analisar o comportamento real do consumo do estabelecimento e identificar onde existe espaço para deslocar parte da demanda dos períodos mais caros para outros momentos do dia.

Eletropostos: problema pode estar na potência disponível

A limitação da rede também aparece no segmento de mobilidade elétrica. Segundo os profissionais, um eletroposto pode ter acesso ao fornecimento de energia e, ainda assim, não dispor da potência necessária para operar carregadores na capacidade desejada.

Segundo os executivos, existem casos em que projetos de estações de recarga encontram dificuldades para obter aumento da demanda junto à concessionária. A situação pode ocorrer, por exemplo, em carregadores instalados junto a postos de combustíveis, que já apresentam consumo próprio relevante.

Nesse contexto, sistemas de armazenamento associados ao controle de demanda podem complementar temporariamente a potência fornecida pela rede e atender os carregadores durante períodos de maior necessidade.

Um BESS diferente para cada problema

Os exemplos apresentados durante o Papo Solar mostram que consumidores bastante diferentes podem utilizar armazenamento, mas não necessariamente pela mesma razão.

Nesse sentido, os executivos destacam que, em vez do integrador tratar o armazenamento como mais um equipamento a ser adicionado ao portfólio, a venda precisa exigir uma análise mais detalhada da instalação, incluindo conta de energia, curva de carga, demanda, qualidade do fornecimento, criticidade das cargas e prejuízos associados a eventuais interrupções.

Para isso, eles afirmam que o integrador precisa entender o que aquele consumidor precisa evitar, economizar ou manter funcionando. A partir dessa resposta é que potência, autonomia, arquitetura e estratégia de operação do BESS podem ser definidas.

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Henrique Hein
Sobre o autor
Henrique Hein

Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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