O mercado livre de energia manteve trajetória de expansão em 2025, ainda que em ritmo mais moderado após o forte movimento registrado no ano anterior. Dados da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) indicam que 21,7 mil cargas migraram do ambiente regulado para o livre no ano, volume 19% inferior ao observado em 2024, quando foram contabilizadas 26,8 mil migrações.
A desaceleração ocorre após o pico histórico de 2024, impulsionado pela abertura do mercado livre para todos os consumidores do Grupo A. Naquele ano, o número de migrações superou em mais de três vezes o resultado de 2023.
Para especialistas, a acomodação do ritmo em 2025 era esperada, dado o esgotamento do efeito imediato da abertura e a mudança no cenário de preços. A avaliação é que o mercado entra agora em uma fase de normalização, com decisões mais criteriosas por parte dos consumidores.
Perfil setorial e regional
Em 2025, o avanço foi puxado principalmente pelos setores de serviços (6.478 migrações) e comércio (3.945). Do ponto de vista regional, o crescimento foi disseminado em todo o país, com destaque para os acréscimos no Nordeste (+3.500), Centro-Oeste (+2.000) e Norte (+1.300), além de um aumento superior a 14,7 mil cargas nas regiões Sudeste e Sul.
Base de consumidores e participação no consumo
Mesmo com a desaceleração no fluxo, a base total do mercado livre segue avançando. Com as migrações registradas em 2025, o segmento encerrou o ano com 85 mil participantes, o que representa um crescimento de 31,8%.
A participação do mercado livre no consumo nacional de eletricidade também aumentou, passando de 39% em 2024 para 43% em 2025, reforçando o papel crescente desse ambiente na matriz de comercialização do país.
Perspectivas para 2026
O horizonte de curto prazo aponta para um novo ajuste no ritmo de migração. Informações da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) mostram que cerca de 7 mil cargas comunicaram às distribuidoras a intenção de migrar em 2026, número significativamente inferior aos volumes recentes.
Em nota, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que a expansão do mercado livre reflete o processo de modernização do setor elétrico brasileiro e a ampliação da liberdade de escolha dos consumidores, com impactos sobre competitividade e atração de investimentos.
Com o novo marco legal do setor elétrico, a abertura do mercado para consumidores de baixa tensão deve ocorrer de forma escalonada: até novembro de 2027 para as classes industrial e comercial e até novembro de 2028 para os residenciais. A expectativa é que, ao longo desse processo, o volume de migrações avance gradualmente, alcançando milhões de unidades consumidoras nos próximos anos.
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