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NBR 6123 será alterada para integrar estruturas fotovoltaicas

Revisão da norma é essencial para trazer maior confiabilidade e custos mais precisos nas instalações

Autor: 4 de agosto de 2021Brasil
NBR 6123 será alterada para integrar estruturas fotovoltaicas

Com a rápida expansão dos sistemas fotovoltaicos, fabricantes e consumidores estão cada vez mais preocupados com a segurança mecânica das instalações. Seja em telhado ou em solo, as estruturas e os sistemas de fixação devem ser corretamente dimensionados e projetados para suportar as condições de operação. 

Segundo Reinaldo Burcon, engenheiro de desenvolvimento industrial na Romagnole, os coeficientes de arraste aerodinâmicos – que permitem medir a força de resistência ao ar ou a outro fluido por uma determinada área/superfície – são de extrema importância neste meio, pois a imprecisão destes pode levar tanto a uma estrutura subdimensionada, quanto a uma superdimensionada.

Tendo em vista este cenário, a atual norma brasileira que rege os carregamentos de ventos, NBR-6123, está passando por um processo de revisão. Esta nova versão contemplará alteração das isopletas de vento, com um refinamento que permitirá uma maior precisão de cálculos.

Também serão revistos coeficientes aerodinâmicos para incluir construções modernas. Tal norma, tomada como base no dimensionamento de estruturas para módulos fotovoltaicos, ficará mais precisa e, portanto, a revisão é de suma importância para termos uma maior confiabilidade e custos mais precisos nas instalações, afirmou o especialista. 

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“Mas, apesar de tantos avanços, ainda será deixada uma lacuna com respeito às instalações fotovoltaicas.  A princípio, não haverá tabelas específicas para estruturas solares, como acontece com as normas internacionais, a exemplo da  ASCE (American Society of Civil Engineers)”, disse. 

“No caso brasileiro, é preciso relacionar com estruturas similares. Por outro lado, a ASCE montou um comitê específico para discutir instalações fotovoltaicas, incluindo as de solo, garagem e telhado, com o objetivo de definir procedimentos que levem à otimização dos dimensionamentos”, relatou Burcon. 

Ainda com relação ao desenvolvimento internacional, algumas associações de engenheiros (Structural Engineers Association of California e Solar America Board for Codes and Standards, por exemplo) publicaram artigos orientativos, baseados nas melhores práticas científicas e de engenharia, sobre como executar instalações de módulos fotovoltaicos. 

“Temos também universidades e centros de pesquisa (Western University Ocidental, no Canadá) que publicam o que tem se de fonte de pesquisa, estando ainda muito à frente de qualquer norma (esta universidade participa da revisão da norma ASCE), incluindo ensaios e simulações por software CFD (fluidodinâmica computacional)”, explicou. 

Assim, de acordo com o engenheiro da Romagnole, cabe à indústria tomar como base estes esforços e fazer uma “tropicalização de resultados” destes ensaios e procedimentos, levando-se em conta o ambiente nacional – refazendo estas simulações – para poder avançar com segurança nestes desenvolvimentos.

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“Vale lembrar que estas estruturas são de construção civil, sendo assim devem obedecer às normas vigentes, tais como NBR-8800. E considerando-se que devem possuir vida útil similar aos sistemas fixados, devem obedecer ao que as normas NBR-14643 e ISO 9223 classificam e estimam sobre ambientes atmosféricos no que diz respeito à corrosão”, apontou.

Por fim, Reinaldo Burcon destacou haver os testes de corrosão e mecânico, sendo este último essencial para a execução de ensaios de tração e compressão das estruturas, tanto para certificar as propriedades mecânicas dos componentes, quanto para se fazer o teste da rigidez de montagem dos conjuntos, considerando a carga estática equivalente ao carregamento de vento. 

“Deve-se fazer ensaios de salt-spray – simulação dos efeitos de uma atmosfera marítima em diferentes metais com ou sem camadas protetoras – para atestar a resistência à corrosão dos componentes utilizados”, concluiu.

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Mateus Badra

Mateus Badra

Atuou como produtor, repórter e apresentador na Bandeirantes e no Metro Jornal. Acompanha o setor elétrico brasileiro há mais de dois anos, atuando nas editorias de Mercado e Tendências, Mobilidade Urbana, P&D e Equipamentos. Jornalista graduado pela PUC-Campinas.

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