Reportagem publicada na Revista Canal Solar – Vol. 6, Nº 6, Outubro/2025
Com colaboração de Antonio Carlos Sil
No Brasil, a energia solar é frequentemente celebrada como símbolo da transição energética e do futuro sustentável. No entanto, um tema ainda pouco discutido ganha cada vez mais relevância à medida que o setor amadurece. O que acontece com os painéis solares quando deixam de funcionar? A resposta passa pela reciclagem ou melhor, pela falta de uma cadeia estruturada para isso.
Em entrevista ao Canal Solar, Everton Gois, engenheiro eletricista e sócio fundador à frente da Solar 55, uma das primeiras empresas brasileiras especializadas na reciclagem de módulos fotovoltaicos, comentou os desafios e as oportunidades de um mercado que ainda engatinha em soluções, mas que está prestes a enfrentar um aumento significativo no volume de resíduos.
Uma bomba-relógio ambiental
Segundo Gois, a reciclagem de painéis solares está em um estágio ainda “embrionário” no mundo todo e o Brasil não foge à regra. “Hoje estima-se que apenas cerca de 10% dos painéis estejam sendo de fato reciclados e desviados de aterros. Estimamos que o percentual de reciclagem acompanhe a média nacional de resíduos sólidos em torno de 4%”, explicou.
Enquanto países como os Estados Unidos e, principalmente, a União Europeia já implementam políticas específicas e metas ambiciosas de reaproveitamento como a diretriz europeia que prevê até 80% de reciclagem dos painéis descartados, no Brasil, o descarte ainda acontece de forma desalinhada.
Dados da IRENA (Agência Internacional para as Energias Renováveis), revelam que até 2030, o Brasil deve acumular de 3 a 8 mil toneladas de resíduos solares. Globalmente, o número pode chegar até 80 milhões de toneladas até 2050.
Gois, alerta, “é importante frisar que esse ainda é um primeiro movimento de descarte. O grande tsunami de resíduos acontecerá entre 2045 e 2055, quando a maior parte dos módulos hoje em operação alcançarem o fim de sua vida útil de 25 a 30 anos”.
Quando perguntado se já existe uma cadeia estruturada da reciclagem no Brasil, Gois, foi direto. “Ainda não podemos falar em cadeia estruturada. Estamos apenas nos primeiros passos e os desafios são grandes, especialmente na logística e na conscientização das empresas sobre a importância de um descarte ambientalmente adequado”.
Ele se refere a ausência de uma regulação específica para o setor, embora destaque que os módulos fotovoltaicos, possam ser enquadrados como resíduos eletrônicos dentro da Política Nacional de Resíduos Sólido, que segue uma ordem de prioridade ambiental de reparo, manutenção preventiva e, quando necessário, avaliação para reutilizar antes de reciclar.
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Uma resposta
Essa história do fim da vida útil dos painéis solares aos 25 ou 30 anos é uma grande mentira!
O que acontece nesse prazo é o fim da garantia. A realidade é que os painéis solares seguem produzindo energia por bem mais que 30 anos. Aos 30 anos eles ainda produzem 80% da energia que produziam quando novos. Eu mesmo tenho painéis que funcionam há mais de 30 anos continuamente, e que possuem tecnologia inferior às de hoje em dia. Os painéis modernos com tecnologia Topcom chegarão a 50 anos produzindo, em média, metade da energia inicial. É por essa razão que as indústrias ainda não estão preocupadas com a reciclagem.