Recorde: trimestre apresenta maior volume de importação de módulos FV de toda história

Estudo estratégico da Greener evidencia que o Brasil passa por um momento de reaquecimento do mercado de energia solar
Recorde: trimestre apresenta maior volume de importação de módulos FV de toda história
Importação de módulos fotovoltaicos atingiram mais de 5 GW no 4º trimestre de 2023. Foto: Freepik

O Brasil registrou no 4º trimestre de 2023 o maior volume de importação de módulos fotovoltaicos de toda a sua história, segundo dados do novo estudo estratégico da Greener sobre o mercado de GD (geração distribuída) de energia solar.

O relatório, com mais de 150 páginas e que foi divulgado nesta terça-feira (19), revela que as importações atingiram mais de 5 GW entre os meses de outubro e dezembro do ano passado.

O número supera os 4,9 GW registrados no primeiro trimestre de 2022, momento em que houve um “boom” de otimismo no setor em razão da publicação da Lei 14.300. 

O indicador, com isso, apenas evidencia que o país passa por um reaquecimento do mercado de energia solar – com direito a uma redução significativa de preços – após um período de dificuldades encontradas, sobretudo, no primeiro semestre de 2023. 

Foto: Greener/Reprodução

Além dos números sobre módulos fotovoltaicos, o novo relatório apresentado pela Greener traz uma série de destaques sobre o comportamento do segmento de micro e minigeração distribuída no país em 2023. 

Um deles mostra que o Brasil fechou o ano passado com a menor ocorrência de distribuidores de equipamentos com estoques elevados (11%) contra 18% no final de 2022. 

Os portes residenciais e comerciais entre 4 kW e 12 kW representam a maior parte  (64%) dos projetos vendidos pelos integradores em 2023. “Portes comerciais apresentaram crescimento em 2023 frente à queda de portes residenciais”, destaca o estudo. 

Recuperação do financiamento

De acordo com a Greener, cerca de 53% das vendas realizadas pelos integradores em 2023 contaram com algum tipo de financiamento – o que representa um avanço importante da participação do crédito em relação a 2022, quando apenas 30% dos sistemas fotovoltaicos comercializados obtiveram financiamentos. 

Foto: Greener/Reprodução

Vale lembrar que no primeiro semestre de 2023, as empresas e os consumidores do setor de energia solar encontraram muitas dificuldades para aprovar financiamentos de projetos fotovoltaicos junto aos principais bancos do país.

O fato, inclusive, foi apontado na época pelo mercado como um dos principais limitadores das vendas no setor no início do ano. 

O problema ocorreu por uma série de fatores socioeconômicos que deixaram grande parte das instituições financeiras com receio de liberar créditos para as aquisições de diversos bens de serviços, entre eles o de energia solar.

Parte do receio teve relação direta com a crise vivenciada pelas Lojas Americanas e pela manutenção da taxa básica de juros no valor de 13,75% ao ano pelo Copom (Comitê de Política Monetária), além das instabilidades políticas causadas pela troca de Governo. 

Em 2023, as instituições que mais financiaram sistemas de energia solar no mercado foram: o Banco BV; Banco do Brasil; Santander; Sicredi e a Sicoob. 

Foto: Greener/Reprodução

Principais desafios para os integradores

O estudo da Greener destacou ainda que o principal desafio enfrentado pelos integradores brasileiros no mercado de energia solar em 2023 foi o preço baixo demais ofertado pela concorrência. 

O problema foi citado por 58% dos profissionais ouvidos pela pesquisa. Logo atrás aparecem as dificuldades relacionadas à aprovação de crédito por parte dos bancos (55%), a alta taxa de juros (50%, a alta concorrência (44%) e a prospecção de clientes (27%). 

Canais de vendas e expectativas para 2024

Embora ainda seja o principal canal de venda dos integradores brasileiros, a indicação de clientes registrou queda na comparação com anos anteriores, enquanto que as visitas comerciais e redes sociais apresentaram aumento, segundo a Greener. 

Em 2023, cerca de 44% das vendas realizadas pelos profissionais do setor vieram da indicação de clientes satisfeitos com seus sistemas instalados, contra 55%, 54% e 70% de 2022, 2021 e 2020, respectivamente. 

As visitas comerciais representaram 29% – o maior índice já registrado – enquanto que as redes sociais, como Facebook, Instagram, LinkedIn, sites e afins, capitalizaram 19% das vendas das empresas no ano passado. 

Em relação às expectativas de vendas para 2024, o estudo da Greener aponta que para a maioria das empresas elas são otimistas em comparação com as vendas realizadas em 2023. 

“O cenário conjuntural de redução da taxa Selic e, consequentemente, da taxa de juros para financiamento, aliado à queda dos preços dos equipamentos, podem ser fatores que influenciam uma maior expectativa de vendas para 2024”, avalia o estudo. 


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Imagem de Henrique Hein
Henrique Hein
Atuou no Correio Popular e na Rádio Trianon. Possui experiência em produção de podcast, programas de rádio, entrevistas e elaboração de reportagens. Acompanha o setor solar desde 2020.

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