A rede elétrica brasileira não deve representar um obstáculo para os primeiros leilões de baterias do país, previstos para ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro. A avaliação é da ABSAE (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), que aponta uma ampla margem de conexão disponível para novos projetos.
De acordo com cálculos da entidade, elaborados com base em nota técnica do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o Brasil dispõe hoje de aproximadamente 56 GW de margem de conexão para sistemas de armazenamento por baterias.
Segundo a entidade, o volume equivale a cinco a 12 vezes a necessidade de potência estimada para o período de 2028 a 2030, calculada entre 4,5 GW e 10 GW.
Nos pontos que oferecem bônus locacional, a margem de conexão chega a 13,7 GW. Dos 129 barramentos contemplados pelo benefício, 93 apresentam capacidade disponível, principalmente na Bahia, no Piauí, no Ceará e no norte de Minas Gerais.
Concorrência e preços dos leilões
Com mais de 6 mil projetos cadastrados nos certames, a expectativa é de uma disputa acirrada pelos contratos. Para a ABSAE, os preços estabelecidos também estão alinhados às expectativas do mercado e às projeções discutidas durante a construção dos leilões.
Os valores são de R$ 1,76 milhão por MW/ano para o certame com exigência de conteúdo nacional e de R$ 1,58 milhão por MW/ano para o leilão sem essa exigência.
Na avaliação da associação, os preços reconhecem os custos envolvidos nos projetos de armazenamento, tornam os certames atrativos aos investidores e permitem uma disputa efetiva entre os participantes.
A entidade também considera que as exigências de habilitação econômico-financeira e a garantia de fiel cumprimento oferecem segurança para que os projetos vencedores sejam efetivamente executados, sem impor barreiras desproporcionais às empresas qualificadas.
Outro ponto avaliado positivamente foi a redução das garantias, acompanhada da revisão do investimento de referência para R$ 6 milhões por MW. Para a ABSAE, o ajuste ajuda a filtrar empresas sem capacidade efetiva de execução, sem afastar investidores com condições reais de entregar os projetos.
Transmissoras e fundos podem ampliar a competição
A participação de transmissoras de energia, fundos de investimento em participações (FIPs) e entidades de previdência também é considerada positiva pela associação.
Segundo a ABSAE, as transmissoras contribuem com experiência na implantação e operação de ativos conectados à rede elétrica. Já os FIPs e fundos de previdência podem aportar capital de longo prazo, especialmente quando participam de consórcios com outras empresas.
Para a entidade, esse perfil de investimento é compatível com os contratos de 15 anos previstos nos leilões, que exigem capacidade financeira para sustentar os projetos ao longo de sua operação.
“Os FIPs e os fundos de previdência, em consórcio com outras empresas, trazem capital de longo prazo, que combina com contratos de 15 anos. Juntas, essas medidas aumentam a concorrência e fortalecem o financiamento dos projetos, o que é fundamental para o sucesso do primeiro leilão de baterias do país”, destacou a ABSAE.
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