A ABRATE (Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica) avaliou que o resultado da primeira etapa da PNAST (Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão) representa um avanço na organização dos pedidos de conexão à Rede Básica.
Em posicionamento divulgado à imprensa, a entidade destacou a competitividade do processo e seu papel na ampliação da previsibilidade para geradores e consumidores.
A manifestação ocorre após a primeira disputa promovida pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), realizada em 6 de outubro.
O processo destinou 228 MW de capacidade disponível a três empreendimentos de data centers das empresas Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil, em quatro pontos de conexão no estado de São Paulo. Sete projetos participaram do certame, somando 451 MW de demanda habilitada.
Segundo a ABRATE, os lances médios ficaram na ordem de R$ 800 por kW. Para a associação, o resultado demonstra a importância de uma política pública voltada à estruturação do acesso à transmissão em um cenário de expansão da geração e de novas cargas consumidoras.
“A implementação do PNAST é fundamental para disciplinar e ordenar a fila de pedidos de conexão à rede básica”, afirma a entidade em nota assinada por sua presidente executiva, Talita Porto.
Na avaliação da associação, esse ordenamento tornou-se indispensável diante das mudanças no setor elétrico.
Entre os fatores apontados estão o crescimento das fontes eólica e solar, o avanço da GD (geração distribuída) e a demanda de empreendimentos como data centers e projetos de hidrogênio verde, além da eletrificação do consumo.
A PNAST foi instituída pelo Decreto nº 12.772/2025 para reorganizar o acesso à Rede Básica. Na primeira temporada, foram cadastrados 367 empreendimentos de geração e consumo, com mais de 20 GW em solicitações.
Incluindo a fase transitória, o ONS informou ter analisado mais de 43 GW em pedidos, dos quais aproximadamente 30,7 GW foram viabilizados ou habilitados.
Projeção internacional
A ABRATE também considera que o modelo brasileiro pode se tornar uma referência internacional ao combinar transparência, competição e previsibilidade na distribuição da capacidade de acesso à rede.
Segundo a entidade, enquanto outros países enfrentam dificuldades para atender à demanda computacional e recorrem à geração própria local, o Brasil avançou na estruturação de um mecanismo de acesso ao sistema elétrico.
Como sinal desse interesse internacional, a associação informou que o diretor-geral do ONS, Márcio Rea, foi convidado a apresentar os resultados da política em Washington, nos Estados Unidos, no início de novembro, em um evento com operadores elétricos de diferentes países.
Para a ABRATE, a continuidade da política será importante para conciliar as necessidades de conexão de novos geradores e grandes consumidores com o planejamento da infraestrutura de transmissão.
A partir de 2027, estão previstas duas temporadas de acesso por ano. O calendário preliminar divulgado para a primeira temporada prevê a realização do processo competitivo entre 4 e 6 de maio, mas ainda pode sofrer alterações.
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