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Alta do cobre e alumínio impacta projetos fotovoltaicos

Esta alta se deve a dois fatores principais: a elevação de preços na base das cadeias produtivas e o desabastecimento que o mercado está enfrentando

Autor: 11 de setembro de 2020julho 27th, 2021Brasil
5 minutos de leitura
Alta do cobre e alumínio impacta projetos fotovoltaicos

Os preços de insumos utilizados na fabricação de componentes que integram um sistema fotovoltaico tem aumentado nos últimos meses. Esta alta se deve a dois fatores principais: a elevação de preços na base das cadeias produtivas e o desabastecimento que o mercado está enfrentando.

Isso porque a falta de previsibilidade durante a pandemia fez com que as indústrias, em geral, tivessem dificuldade de planejar adequadamente os seus estoques de matéria-prima. Com isso, a retomada gradual da economia faz com que a demanda por produtos comece a pressionar os preços dos insumos em todos os setores, inclusive o mercado solar fotovoltaico.

Entre estes insumos estão o cobre e o alumínio, utilizados na fabricação de componentes que integram um sistema fotovoltaico, como por exemplo, estruturas de fixação e cabos.

Segundo a LME (London Metal Exchange), centro mundial para o comércio de metais industriais, só nos últimos 30 dias, o cobre teve elevação de 3,53%, subindo de U$/t 6.496,70 para U$/t 6.726,08 de agosto para setembro. Enquanto o alumínio elevou 1,54%, indo de U$/t 1.733,90 para U$/t 1.760,58, no mesmo período.

Além da alta no preço por tonelada dos materiais, como cobre e alumínio, o mercado fotovoltaico brasileiro foi impactado pela subida do dólar, que apresentou forte alta entre março, quando começou a pandemia da Covid-19, até começo de setembro.

O aumento foi de 10,51%, indo de R$/US$ 4,85 para R$/US$ 5,36. Com isso, o alumínio, por exemplo, saltou de R$/t 7.814,02, em março, para R$/t 9.436,70, em agosto. Uma alta de 20,76%.

A alta do dólar foi motivada por diversos fatores, entre eles, instabilidade política, fragilidade fiscal e queda da Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia). Em um cenário onde há queda na produção de insumos, o resultado é um mercado desabastecido, ou seja, preços nas alturas combinados com escassez de materiais.

Com isso, os metais como alumínio e cobre, mesmo sendo produzidos no Brasil e vendidos em reais, têm suas formações de preços considerando as cotações do dólar e da LME.

Alta nos preços impacta projetos fotovoltaicos

Integradores apontam que os preços de alguns componentes tem aumentado. Os preços dos cabos, por exemplo, teve alta de até 80%.

“Teve um aumento, de março até agosto, de 60% do cobre devido à paralisação de fábrica por conta da pandemia. Houve parada na produção e agora que voltou a produzir tem uma demanda alta. Além disso, o Chile, um dos maiores produtores de matéria prima para a fabricação do cobre, parou a produção devido à pandemia e questões políticas. Isso afetou o preço do transformador que, por exemplo, tem em sua composição cobre e alumínio, assim como o disjuntor”, conta Leandro Moreira, proprietário da LM Projetos e Assessoria Elétrica.

Danilo Perdigão, gerente de qualidade da Bono Fotovoltaico, afirma que o preço crescente dos insumos já está afetando financeiramente os projetos. “Estamos com quatro usinas acima de 700 kWp, somando 4 MWp, em execução. Estamos com dificuldade principalmente para encontrar cabos isolados de média tensão, 20/35kV. Além da falta do cabo no mercado, os preços aumentaram cerca de 80%. Outro problema é na confecção do quadro geral de baixa tensão, além disso, os barramentos tiveram alta de quase 80%”, conta Perdigão.

Com o aumento nos preços, integradores apontam queda na lucratividade. “Os principais impactos desta alta são a diminuição dos percentuais de fechamentos de contratos em relação aos orçamentos e, consequentemente, a redução nas margens de lucro”, diz Jaime Alfredo Lima Silva, sócio diretor da Engisol.

“O principal desafio é uma redução da margem de lucro porque quando mandamos uma proposta preliminar, colocamos os valores, só que eles estão mudando rapidamente. Não tem como repassar para o cliente, ele não entende. Com isso, acabamos assumindo os prejuízos”, afirma Marcus Hagge, proprietário da Engenharia de Projetos.

Aldo Pereira Teixeira, presidente da Aldo Solar, também está acompanhando o movimento do mercado. “Estamos assustados com os aumentos de preços de cobre alumínio e vidro. Mas, ainda não podemos afirmar quanto teremos de aumento. As nossas programações de terceiro trimestre estão na normalidade. Tudo isso é muito negociado”, conta o executivo.

Edson Marasco, fundador da MCM Solar Energy, comenta como a elevação tem afetado o segmento de estruturas fotovoltaicas. “Devido à pandemia, muitas empresas diminuíram suas compras e a baixa demanda obrigou as usinas a diminuir a quantidade de metal produzido, incluindo a indústria do alumínio, que impacta diretamente no preço das estruturas fotovoltaicas. Além disso, a retomada foi muito mais rápida do que esperado e não há material para todos neste momento, eis a razão do aumento dos preços”.

“Este preço tende a se estabilizar com os meses, provavelmente no primeiro trimestre de 2021 estaremos com os preços normalizados”, acrescenta Marasco.

Ericka Araújo

Ericka Araújo

Head de jornalismo do Canal Solar. Apresentadora do Papo Solar. Desde 2020, acompanha o mercado fotovoltaico. Possui experiência em produção de podcast, programas de entrevistas e elaboração de matérias jornalísticas. Em 2019, recebeu o Prêmio Jornalista Tropical 2019 pela SBMT e o Prêmio FEAC de Jornalismo.

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