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André Gellers assume como Country Manager da SMA

Em entrevista ao canal solar, o executivo compartilha a sua trajetória no setor solar, iniciada como integrador

Autor: 24 de maio de 2021agosto 27th, 2021Entrevistas
André Gellers assume como Country Manager da SMA

André Gellers é o novo Country Manager da fabricante de inversores SMA. A informação foi dada pela empresa ao Canal Solar na última semana. Em entrevista exclusiva ao Canal Solar, o executivo contou como começou a sua jornada profissional no setor solar fotovoltaico em 2015, atuando como integrador na empresa de projetos e instalações solares Savem.

Além disso, relatou outras experiências no mercado fotovoltaico, como sua atuação na fabricante de filmes finos Hanergy e na Moso Power Supply Technology.  

Segundo Gellers, suas inspirações vieram de seus pais que foram responsáveis pela  formação da sua personalidade e moral, de Ozires Silva, que mesmo contra todas as expectativas, criou a indústria aeronáutica brasileira.

Ademais, ele busca inspiração na Irmã Dulce, que dedicou a vida em prol dos semelhantes de forma abnegada, seguindo o seu coração, e no Elon Musk, que vem perseguindo seus sonhos e não desistiu apesar dos desafios.   

Canal Solar: Quem é André Gellers? Quem te inspira? E como é a sua carreira profissional?

André Gellers: Sou um apaixonado por sustentabilidade. Sou formado em Administrador de Empresas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Comecei minha carreira em auditoria e depois fui para o varejo. Morei por três anos na Inglaterra e na virada do milênio comecei a ver energia renováveis e aquilo mexeu muito comigo. Depois de alguns anos, entrei no setor solar e estou há seis anos trabalhando no mercado fotovoltaico.

Quais empresas que você já atuou no mercado fotovoltaico?

AG: O começo da minha jornada foi como integrador e eu tenho muito orgulho disso. Fundei uma empresa no Rio de Janeiro chamada Savem, onde fiquei até 2019. Depois fiz uma rápida passagem pela Hanergy, que é uma empresa de módulos de filme fino, depois assumi a Moso do Brasil, onde eu fiquei até recentemente. Agora, estou com outro desafio. Comecei nesta semana como Country Manager da SMA, que é uma das empresas líderes em soluções fotovoltaicas no mundo. Estou muito orgulhoso dessa situação. 

A sua vinda para a SMA foi estratégica para o mercado fotovoltaico brasileiro? Como planeja a sua atuação em frente a empresa? 

AG: Primeiro, é um sonho que se realiza. Eu admiro a SMA desde o começo da minha jornada. É uma empresa que já tem 40 anos dedicados ao setor, criando soluções avançadas e cuidando muito bem dos seus clientes. Acredito que isso está totalmente alinhado com a minha forma de pensar. 

A estratégia é que possamos crescer juntos com o Brasil, trazendo soluções de tecnologia de ponta, fornecendo o melhor valor para os nossos clientes a longo prazo e sempre atuando nas tecnologias de ponta, trazendo as novidades e dando todo o suporte para os clientes. Tudo isso é muito alinhado com a forma que eu penso que os serviços prestados aos clientes devem ser. 

Essa atuação universal da SMA, que já tem inversores comercializados em mais de 190 países, é muito interessante pois traz diversidade de soluções que podemos aprender lá fora e aplicar no Brasil, um mercado que começou um pouco mais tarde mas tem um potencial gigantesco ainda para realizar. 

Como a SMA está planejando se adequar frente às mudanças do setor referente ao impacto social?

AG: A diversidade cultural, de idade e a aderência das metas do milênio propostas pela ONU (Organização das Nações Unidas) é uma diretriz corporativa da SMA e eu tenho muito orgulho disso. Já venho atuando no setor sócio-ambiental há mais de 15 anos, mesmo antes do setor fotovoltaico, e isso traz um valor intrínseco muito grande à corporação, tanto em termos de continuidade quanto de sustentabilidade.

Ver a consolidação das “Diretrizes ESG” (Environmental, Social and Governance), que são as regras de meio ambiente sociais e de governança nas empresas, como uma questão que se consolidou durante a pandemia da Covid-19 é uma “chavinha” que virou e que vinha sendo represada. 

Agora as empresas têm que atingir metas porque virou uma componente do negócio ter boas governanças corporativas. A SMA já tinha aderido essas diretrizes mesmo antes disso virar uma realidade no mundo corporativo e isso é muito estratégico para o crescimento da empresa. 

A energia solar fotovoltaica é uma das maiores geradoras de postos de trabalho. É um setor grande gerador de empregos que traz energia sem a emissão de carbono. É um dos caminhos de energia a ser seguido! E falando sobre governança do setor, se não tivermos uma legislação que dê suporte e os contratos sejam respeitados no país, o Brasil não será visto como um bom lugar para se investir. Temos um potencial enorme para realizar e existe um desejo muito grande de aplicar recursos internacionais através de fundos de greenbonus, ou mesmo investidores nacionais. Por isso, precisamos realmente ter o cuidado de criar um arcabouço legal que dê a segurança para os investidores e apoiamos isso.

Como você está acompanhando o andamento do PL 5829/19?

AG: Acho fundamental que o PL 5829/19 seja levado logo ao Plenário e seja aprovado. Hoje em dia trabalhamos baseados em uma resolução da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), a 482, criada pela 687, que é uma resolução bem escrita mas que não tem força de lei e paira sobre o mercado uma incerteza, principalmente com os investidores que avaliam isso como um risco.

Todos nós que atuamos no setor -indústria, distribuidores e integradores – precisam ter a segurança do que eles estão propondo ao cliente final. Por este motivo, a aprovação do PL 5829 é importante, visando dar a segurança jurídica necessária. É um texto bastante equilibrado e espero que consigamos aprovar muito em breve.

Em relação aos mercados internacionais, quais são as principais lições que o Brasil pode aprender e adotar?

AG: Estamos vivenciando uma evolução no quesito de armazenamento. O armazenamento combinado com a energia solar fotovoltaica permite resolver o problema da intermitência e resolvendo esse problema, acredito que o mercado pode crescer dez vezes mais do que o seu potencial sem armazenamento. 

Vejo a questão dos sistemas híbridos como muito relevante para o futuro do setor fotovoltaico. Nenhum profissional pode deixar de entender como funciona os sistemas híbridos e qual é o valor que eles trazem para os sistemas solares fotovoltaicos. Além disso, há a integração com a mobilidade elétrica, que já não é algo pro futuro, é uma realidade. Países como a Noruega vendem mais carros elétricos do que a combustão e, no Brasil, isso também vai virar a chave rapidamente. 

Precisamos investir muito na infraestrutura para o carregamento de carros elétricos. Existe um mercado fantástico associado à rainha de todas as energias que é a solar, pois se não fosse o Sol, não estaríamos aqui. Vejo que armazenamento e mobilidade são dois avanços para o segmento da energia solar fotovoltaica. 

Em recente relatório divulgado, a Agência Internacional de Energia destaca a transição do carro a combustão para o carro elétrico, estimando que até 2030 haja centenas de milhares de carros elétricos no mundo todo. Como você vê essa meta? É alcançável? 

AG: É uma meta agressiva. Países europeus já tomaram iniciativa nesse sentido e estabeleceram datas limites para a produção de carros a combustão. Essas medidas afirmativas são importantes para o atingimento das metas. O mercado não se autorregula sempre, muitas vezes uma tecnologia emergente necessita de um suporte no qual precisa de um começo e nesse sentido. A Europa demonstra um caminho muito sério, além de outros países, como o Japão e as novas políticas ambientais do novo governo dos Estados Unidos apontam para isso. 

Claro que não podemos deixar de falar da China, que também tem incentivos incríveis para a adoção do carro elétrico e já está vivenciando os índices da redução de poluição das suas cidades. Por exemplo, os taxistas chineses têm um incentivo enorme para usar carros elétricos. 

O Brasil precisa olhar lá para fora e aprender com isso. A atratividade das montadoras está reduzida, vemos que pela recente saída da Ford do Brasil não podemos mais contar com que as montadoras de carros a combustão sejam grandes geradoras de emprego. O momento virou.

Veremos a consolidação de algumas alternativas, seja o carro a bateria ou a célula de hidrogênio. Mas de qualquer forma, o setor solar vai estar sempre agregado junto à mobilidade elétrica, contribuindo para a diminuição dos índices de poluição.  Esta meta só é possível atingir através de uma mudança na mobilidade. Estou otimista e acredito que essa alteração vai ser feita de uma forma mais rápida do que imaginamos.

Qual a mensagem que você destaca para quem está atuando, ou está pensando em começar a atuar, no mercado fotovoltaico.  

AG: Primeiro, quero parabenizar a todos os profissionais do setor. Somos pessoas que acreditam em um mundo melhor! Acredito que existe um componente da gente acreditar que podemos fazer algo para melhor. Continuem todos os dias de manhã acreditando nisso, mesmo nos dias mais difíceis que virão, mantenham-se positivos. 

Segundo ponto. Às vezes imaginamos que é só instalar o sistema fotovoltaico e acabou o relacionamento com o cliente, mas isso não é verdade. São relacionamentos que se estendem por muitos anos e sua própria imagem pública está ligada a isso. Por isso, sempre descubram formas de entregar mais valor aos seus clientes. 

Terceiro conselho: continuem sempre se educando. Leiam sobre novas tecnologias, sobre negócios, participem de cursos.  E por último: ninguém faz nada sozinho. Por isso, estabeleçam bons relacionamentos, saudáveis, dentro e fora do setor. Construam as suas carreiras para quando for comemorar suas vitórias tenha a quem chamar para essa festa. Criem bons relacionamentos no setor e comemorem juntos!

Giuliana Olivieri

Giuliana Olivieri

Atuou como produtora de programa de entrevista na Rádio Brasil Campinas, além de elaboração de reportagens diárias, edição de áudio e vídeo. Desde 2020, acompanha o mercado fotovoltaico, cobrindo a editoria de Mercado e Negócios. Graduanda em Jornalismo na PUC Campinas.

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