O mercado brasileiro de armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) tem potencial para movimentar cerca de R$ 57 bilhões em investimentos até 2035. A projeção consta no relatório “Sistemas de Armazenamento: desafios, oportunidades e perspectivas para o Setor Elétrico Brasileiro”, elaborado pela consultoria Deloitte.
Segundo o estudo, a estimativa foi construída com base em dados do PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia 2035), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética. A análise considera a evolução da capacidade instalada de sistemas de armazenamento e a demanda futura por contratação desses recursos no SIN (Sistema Interligado Nacional.
O cálculo parte da necessidade estimada de aproximadamente 1,7 GW para o primeiro leilão de capacidade voltado a sistemas de armazenamento, previsto para dezembro deste ano, e considera a realização de certames anuais até 2035.
O avanço da tecnologia tem sido expressivo em nível global. De acordo com a Deloitte, a capacidade instalada de armazenamento por baterias passou de cerca de 1 GW em 2013 para mais de 85 GW em 2023. Somente no último ano do período analisado, foram adicionados aproximadamente 40 GW, volume superior ao dobro do registrado em 2022, conforme dados da Agência Internacional de Energia.
China, Europa e Estados Unidos lideram esse movimento e responderam por cerca de 90% da capacidade instalada recentemente, consolidando-se como os principais mercados para a expansão dos sistemas de armazenamento.
No Brasil, um dos marcos recentes para o desenvolvimento do segmento ocorreu em junho, quando a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicou a regulamentação dos SAE (Sistemas de Armazenamento de Energia). As regras abrangem aspectos como regime de outorga, modelos de exploração da atividade, remuneração, empilhamento de receitas e serviços, acesso e uso da rede, além do tratamento tarifário aplicável aos sistemas.
A regulamentação também reconhece a possibilidade de os sistemas de armazenamento prestarem serviços ancilares ao sistema elétrico, incluindo funções de suporte operacional e a remuneração por múltiplos serviços. A medida é vista como um passo importante para ampliar a viabilidade econômica dos projetos de baterias no país.
Para a Deloitte, o desenvolvimento de um mercado de serviços ancilares mais robusto, com produtos adequadamente estruturados, será um fator decisivo para a criação de modelos de negócio sustentáveis e para a atração de novos investimentos.
“As organizações que pretendem capturar valor nesse mercado precisam começar desde já a estruturar seus portfólios de projetos e definir suas apostas tecnológicas, seja em sistemas de armazenamento por baterias (BESS), usinas hidrelétricas reversíveis ou soluções híbridas”, disse Jovanio Santos, diretor de Strategy & Transactions dos setores de Power & Utilities da Deloitte.
“Também é importante desenvolver modelos de negócio capazes de combinar diferentes fontes de receita, incluindo pagamento por capacidade, arbitragem de energia e serviços ancilares, além de estabelecer parcerias estratégicas, garantir acesso a financiamento e investir em digitalização e inteligência operacional”, conclui.
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