O avanço do mercado de armazenamento de energia no Brasil tem impulsionado a adoção de sistemas de baterias em diversos segmentos da economia, como comércio, indústria, hotelaria e agronegócio.
Cada vez mais, projetos desenvolvidos com sistemas BESS (Battery Energy Storage System) vêm sendo utilizados para reduzir custos com energia, aumentar a autonomia energética e diminuir a dependência de geradores a diesel, especialmente em regiões remotas.
Entre os exemplos estão empreendimentos que utilizam estratégias conhecidas como “peak shaving”, que reduz os picos de cargas requeridas pela rede e “load shifting”, nas quais a energia é armazenada em horários de menor tarifa e utilizada nos períodos de ponta.
Segundo informações divulgados pela Huawei Digital Power, projetos implementados com o sistema LUNA2000 da fabricante têm demonstrado viabilidade econômica ao otimizar o consumo elétrico e reduzir o uso de geradores a diesel, registrando economias de até 20% nos custos com energia elétrica.
No segmento corporativo e varejista, empreendimentos como o complexo comercial Civil Towers e o Alameda Vert Shopping adotaram a tecnologia para implementar estratégias de gerenciamento de carga e redução de demanda nos horários de pico.

A mesma abordagem também vem sendo utilizada por redes de hotelaria, como o Hotel Portal do Mundai, e por indústrias, a exemplo da ABOLT Metal Light. Já no agronegócio e em localidades remotas, os sistemas BESS têm viabilizado a criação de microrredes (“microgrids”) autônomas.
Já o Juma Amazon Lodge, no Amazonas, e a Fazenda Boa Vista, em Minas Gerais, implementaram a solução para reduzir significativamente os custos associados ao consumo de combustíveis fósseis, além de ampliar a autonomia operacional de atividades como irrigação e serviços hoteleiros e reduzir as emissões de carbono.
Segurança avaliada em testes de estresse
A estabilidade térmica das baterias é considerada um dos principais fatores para a segurança de sistemas de armazenamento de energia. Um relatório técnico conduzido pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, concluído em dezembro de 2025, avaliou comparativamente de algumas marcas de baterias estacionárias de lítio disponíveis no mercado.
O estudo submeteu os equipamentos a ensaios severos de estresse térmico, elétrico e simulação de incêndio. Segundo os resultados divulgados, a unidade da Huawei, identificada como Bateria B, apresentou os melhores índices de resistência à degradação térmica.
Submetido a mais de 2 horas e 40 minutos de estresse térmico e elétrico ininterruptos, o sistema manteve sua integridade estrutural, com os sensores registrando temperaturas controladas abaixo de 250°C.
Nos testes que simularam um incêndio externo, o equipamento também apresentou desempenho superior na contenção do evento. De acordo com o relatório, o princípio de incêndio foi controlado na primeira intervenção com um extintor padrão, sem reignição das chamas, sendo classificado com “baixa” dificuldade de supressão.
Pesquisa e capacitação profissional
A expansão do mercado de armazenamento também tem impulsionado iniciativas de pesquisa e formação profissional.
Em Ilha Solteira (SP), o SENAI adotou plataformas LUNA2000 como base de um projeto de pesquisa e desenvolvimento voltado ao estudo de novas aplicações para sistemas de armazenamento.
A iniciativa busca desenvolver novas funcionalidades operacionais e capacitar profissionais para atuar em um mercado que deve ganhar ainda mais relevância com o avanço do armazenamento de energia e dos futuros leilões de capacidade no Brasil.
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