Por décadas, os países nórdicos da Europa ficaram praticamente fora do mapa da energia solar. Enquanto o sul do continente concentrava os grandes projetos fotovoltaicos, o norte apostava principalmente na geração eólica.
Esse cenário, porém, começou a mudar. A queda nos custos dos equipamentos e o aumento dos preços da eletricidade tornaram a energia solar economicamente viável até mesmo em regiões antes consideradas frias, remotas e com baixa incidência solar.
Com isso, grandes parques solares estão sendo construídos próximos ao Círculo Polar Ártico, enquanto painéis fotovoltaicos se espalham por telhados no norte da Escócia e até nas Ilhas Faroé.
A expansão oferece aos países da região uma nova forma de ampliar a geração doméstica de eletricidade, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e fortalecer a segurança energética.
Pela primeira vez, investidores e concessionárias instalaram mais capacidade solar do que eólica na região nórdica. A tendência deve continuar nos próximos anos, segundo projeções da BloombergNEF.
A Suécia já atingiu sua meta original de capacidade solar prevista para 2030 ainda em 2023 e está próxima de alcançar um objetivo ainda mais ambicioso. Na Finlândia, a meta para o fim de 2030 foi atingida com seis anos de antecedência.
O crescimento já impulsiona uma nova carteira de investimentos. Empresas propuseram pelo menos 300 MW de novos projetos na Lapônia, no norte da Finlândia, enquanto outros 600 MW aguardam conexão à rede elétrica no norte da Suécia.
Entretanto, o cenário é diferente em partes do sul da Europa. Na Espanha, a elevada capacidade instalada de energia solar tem pressionado os preços da eletricidade durante os períodos de maior geração, reduzindo o retorno de novos investimentos.
Já nos países nórdicos, os custos de painéis e equipamentos caíram cerca de 30% desde 2021, enquanto os preços mais elevados da eletricidade tornaram os projetos mais atrativos, segundo a Aurora Energy Research.
Frio e neve ajudam a gerar energia
O parque solar Simo, da Exilion, localizado ao sul do Círculo Polar Ártico, em menos de três anos após o início do projeto, já produz eletricidade por quase 22 horas por dia durante o auge do verão.
Segundo a calculadora solar da Comissão Europeia, cerca de 82% da geração anual de um projeto no norte da Finlândia ocorre entre abril e setembro. Em um projeto semelhante em Madri, esse percentual seria de aproximadamente 58%, mostrando como os longos dias de verão compensam o inverno rigoroso.
Durante os meses mais frios, a produção solar diminui significativamente. É nesse período que a energia eólica assume o papel na região, que também é reforçada pelo uso crescente de sistemas de armazenamento em baterias.
Além disso, as temperaturas mais baixas aumentam a eficiência dos módulos fotovoltaicos, enquanto a neve reflete mais luz para os painéis bifaciais, elevando a produção de energia.
Expansão chega a regiões antes improváveis
No norte da Escócia, quase 2 mil residências instalaram painéis solares nos seis meses encerrados em abril, apesar da região receber pouco mais da metade da irradiação solar observada no sul da Espanha.
O movimento também chegou às Ilhas Faroé, um arquipélago localizado no Atlântico Norte e considerado um dos lugares mais nublados do mundo. Há poucos anos, a região contava com apenas algumas fazendas solares.
Hoje, a empresa de energia local SEV estima que existam mais de 60 instalações fotovoltaicas, enquanto outras 25 a 30 aguardam aprovação.
Mesmo com baixa incidência solar, a tecnologia desempenha um papel importante no sistema elétrico local ao complementar a geração eólica e hidrelétrica durante o verão. Com isso, as ilhas reduzem o consumo de diesel justamente na época do ano em que a dependência desse combustível costuma aumentar.
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