GC Solar 22.71 GW GD Solar 50.47 GW
Mercado & Investimentos

GD responde por 92% dos módulos solares importados pelo Brasil no 1º semestre

Segmento concentrou aproximadamente 5 GWp dos equipamentos nacionalizados nos primeiros seis meses de 2026, aponta Greener

GD responde por 92% dos módulos solares importados pelo Brasil no 1º semestre

Foto: Magnific

A GD (geração distribuída) respondeu por 92% dos módulos fotovoltaicos importados pelo Brasil no primeiro semestre de 2026. Um ano antes, o segmento representava 78% do volume nacionalizado.

Entre janeiro e junho, aproximadamente 5 GWp em equipamentos foram destinados a sistemas de pequeno e médio porte, incluindo instalações em telhados e usinas de geração remota.

Apesar do aumento na participação, a demanda da GD também perdeu força. O volume importado para o segmento caiu 39% em relação ao primeiro semestre de 2025, quando havia alcançado 8,2 GWp.

Os dados fazem parte de um levantamento da consultoria Greener sobre a nacionalização de módulos solares no país.

A maior retração foi registrada na geração centralizada. O volume destinado às grandes usinas solares caiu 82%, passando de 2,3 GWp no primeiro semestre de 2025 para 430 MWp neste ano.

Segundo a Greener, o resultado reflete os impactos dos cortes obrigatórios de geração, conhecidos como curtailment, sobre a rentabilidade dos projetos. Esse cenário tem desestimulado novos investimentos e reduzido a contratação de equipamentos.

Com a queda mais acentuada da geração centralizada, a GD ampliou sua participação no mercado brasileiro de módulos, mesmo diante da redução dos volumes importados.

No total, o Brasil nacionalizou 5,48 GWp em módulos fotovoltaicos no primeiro semestre de 2026, uma queda de 48% em relação aos 10,57 GWp registrados no mesmo período do ano passado.

Os equipamentos devem viabilizar aproximadamente R$ 14,6 bilhões em investimentos em energia solar. No primeiro semestre de 2025, o valor estimado havia alcançado R$ 30,4 bilhões.

A concentração das importações na geração distribuída acompanha o desempenho recente do segmento no país. Conforme mostrou o Canal Solar, a GD já alcançou 54 GW de potência instalada em 2026, superando em 2,2 GW a projeção feita pela ABSOLAR para o encerramento do ano.

O cenário é diferente na geração centralizada. As grandes usinas somam 23,6 GW, cerca de 500 MW abaixo da estimativa para dezembro. Ao mesmo tempo, o volume de módulos importados para esse mercado recuou 82% no primeiro semestre, em meio aos efeitos do curtailment sobre a rentabilidade e a implantação de novos projetos.

Embora os dados de importação e capacidade instalada não sejam diretamente comparáveis, porque existe um intervalo entre a nacionalização dos equipamentos e a conexão dos sistemas, os dois indicadores apontam para uma mesma tendência.

Demanda recua, mas preço sobe

A redução das importações foi observada em cinco dos seis primeiros meses do ano. As maiores quedas ocorreram em março, de 71,6%, e abril, de 60,7%, na comparação anual.

Maio foi a única exceção. Naquele mês, o país importou 1,4 GWp em módulos, crescimento de 6,5% em relação a maio de 2025. Em junho, o volume voltou a cair e encerrou o semestre em 634 MWp, ante 851 MWp no mesmo mês do ano anterior.

Embora a demanda tenha diminuído, o preço médio ponderado dos módulos importados avançou 12,9% na comparação anual. O valor passou de US$ 0,0802 por watt-pico no primeiro semestre de 2025 para US$ 0,0906 por watt-pico em 2026.

Os números consideram o preço FOB, que não inclui frete, seguro, impostos e outras despesas relacionadas à importação. A alta ficou concentrada no segundo trimestre. Em maio, o preço médio chegou a US$ 0,1042 por watt-pico, maior valor do período e 29% acima do registrado em janeiro.

De acordo com a Greener, o movimento coincide com o encerramento, em abril, do incentivo de 9% concedido pela China às exportações de módulos fotovoltaicos. A mudança pressionou o custo dos equipamentos no mercado internacional e pode ter contribuído para a alta dos preços pagos pelos importadores brasileiros.

Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.

Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

Comentários

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.