De hotéis que utilizam baterias para evitar prejuízos com quedas de energia a supermercados que aproveitam a geração solar excedente. O fato é que os sistemas de armazenamento de energia (BESS) já apresentam hoje diferentes aplicações no mercado comercial e industrial brasileiro.
Durante o Canal Conecta VI, evento do Canal Solar realizado em São Paulo (SP), Marcelo Baseggio, Diretor Comercial e Operações da Bold Energy, apresentou casos práticos de projetos desenvolvidos pela empresa em diferentes regiões do país, destacando os resultados operacionais e econômicos que podem ser obtidos com a tecnologia.
Entre os exemplos estão empreendimentos que utilizam baterias para controlar picos de demanda, reduzir despesas nos horários de maior tarifa e garantir o funcionamento de cargas essenciais durante interrupções no fornecimento.
Segundo Baseggio, a definição da solução mais adequada começa pela identificação do problema enfrentado pelo consumidor, a partir da análise das contas de energia, da memória de massa e do histórico de consumo.
O diagnóstico permite avaliar se o cliente precisa de armazenamento, geração fotovoltaica com controle de exportação, revisão da demanda contratada ou outras alternativas de gerenciamento energético.
Hotéis utilizam baterias para evitar sobrecargas e prejuízos
Um dos casos apresentados foi o do Hotel Kindermann, em Chapecó (SC), que enfrentava problemas de sobrecarga durante eventos com até 300 participantes.
O empreendimento, que possui um transformador de 112 kVA, adotou um sistema com inversores híbridos e bateria de 70 kWh para controlar a potência demandada da rede elétrica.
A solução utiliza a estratégia de peak shaving, na qual as baterias fornecem energia nos momentos de maior consumo, evitando que a potência solicitada à rede ultrapasse um limite estabelecido.
No hotel, esse limite foi configurado em 100 kW. Quando o consumo ultrapassa esse patamar, o sistema utiliza a energia armazenada para atender à demanda adicional.
Hotel economiza R$ 18 mil por mês com sistema de armazenamento em bateria e energia solar
Em outro projeto, localizado em Búzios (RJ), a necessidade era diferente. Um empreendimento hoteleiro instalou um sistema com bateria de 75 kWh para garantir o fornecimento de energia em situações de interrupção da rede.
Segundo Baseggio, as quedas de energia poderiam provocar prejuízos de até R$ 30 mil por temporada, principalmente devido à necessidade de reembolsar diárias de hóspedes.
Embora os dois empreendimentos utilizem tecnologias semelhantes, as aplicações foram definidas a partir de problemas distintos: controle de demanda em um caso e fornecimento de energia de emergência no outro.
Hipermercados recuperam geração solar com armazenamento
Outro projeto apresentado envolve uma rede de hipermercados no Paraná, que possui 650 kW de geração fotovoltaica instalada em telhados e estruturas de estacionamento.
Após a migração para o Mercado Livre de Energia, o empreendimento enfrentou restrições de injeção na rede e precisou desligar três inversores de 75 kW, totalizando 225 kW de capacidade de geração.
Para aproveitar essa energia, a Bold e os integradores envolvidos desenvolveram uma solução com quatro sistemas BESS da Huawei.
O armazenamento passou a atuar como carga durante os períodos de geração excedente, permitindo que a energia solar fosse utilizada para carregar as baterias e posteriormente atender ao consumo do empreendimento.
A aplicação combina o aproveitamento da geração fotovoltaica com o chamado time shift, estratégia que permite deslocar a utilização da energia para outros horários.
Baseggio destacou que o projeto exigiu a integração entre equipamentos e sistemas de controle para sincronizar a geração solar com o carregamento das baterias.
A apresentação também incluiu um supermercado em Santa Catarina que adotou armazenamento com acoplamento em corrente alternada (AC) para combinar economia de energia e atendimento a cargas prioritárias.
Como o equipamento utilizado não possuía transferência automática nativa para o fornecimento de backup, foi necessário desenvolver um quadro de transferência automática dedicado.
O projeto demonstra que, além da escolha dos equipamentos, a engenharia de integração pode ser determinante para atender às necessidades operacionais de cada cliente.
Granja combina três aplicações em um mesmo sistema
No agronegócio, Baseggio apresentou o caso de uma granja de suinocultura que utiliza baterias para atender a três necessidades distintas.
A primeira é o deslocamento do consumo de energia do horário de ponta para períodos de menor tarifa, aplicação conhecida como time shift. Segundo os dados apresentados, essa operação representa uma economia de R$ 6 mil com energia no horário de ponta.
A segunda aplicação é o controle dos picos de demanda registrados principalmente no início da manhã, que provocavam penalidades recorrentes por ultrapassagem da demanda contratada.
A terceira envolve a compensação de energia reativa, outro componente identificado durante a análise das faturas do empreendimento.
O caso demonstra a possibilidade de combinar diferentes benefícios em um único sistema de armazenamento, ampliando o potencial de retorno econômico do investimento.
Projetos na Bahia e em Mato Grosso mostram potencial de economia
Na Bahia, um projeto comercial e industrial apresentado pela Bold utiliza baterias para aproveitar a diferença entre as tarifas de energia nos horários de ponta e fora de ponta.
Segundo a empresa, a operação de time shift proporciona uma economia de quase R$ 20 mil mensais, favorecida pela diferença tarifária observada na região.
Outro exemplo está em Mato Grosso, onde um centro de eventos contará com um sistema de 800 kWp de geração solar e 1,2 MWh de armazenamento, composto por cinco gabinetes G-Max Plus, da Fox ESS.
O projeto, ainda em execução, prevê reduzir a demanda contratada de 1 MW para cerca de 700 kW, além de disponibilizar backup parcial para cargas essenciais.
A estimativa apresentada é de uma redução de 50% nos custos totais de energia do empreendimento. A instalação fotovoltaica será realizada em estruturas de estacionamento solar (carport), com sistema de desligamento rápido para atender às exigências do Corpo de Bombeiros.
Diagnóstico e modelos comerciais ampliam oportunidades para integradores
Além dos resultados dos projetos, Baseggio destacou que a viabilidade do armazenamento depende de uma análise detalhada das características de consumo e das condições tarifárias de cada empreendimento.
A avaliação envolve o histórico de consumo, os horários de maior demanda, a ocorrência de penalidades e as possibilidades de aproveitamento da geração solar. Em alguns casos, a solução pode combinar diferentes aplicações do BESS.
Em outros, alternativas como adequação tarifária, revisão da demanda contratada ou migração para o mercado livre podem atender melhor às necessidades do consumidor.
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