GC Solar 22.71 GW GD Solar 50.47 GW
Mercado & Investimentos

Enquanto Brasil dava adeus ao hexa, sistema elétrico enfrentava oscilações de até 16%

ONS registrou variações superiores a 7 GW durante a partida contra Noruega, equivalente ao consumo de estados como Minas Gerais

Enquanto Brasil dava adeus ao hexa, sistema elétrico enfrentava oscilações de até 16%

Foto: Ilustração

O sonho do hexacampeonato terminou de forma precoce na tarde do último domingo (5). A derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, encerrou a campanha da seleção e frustrou milhões de torcedores.

Enquanto o apito final decretava a eliminação em campo, outro jogo decisivo acontecia nos bastidores: o de manter o SIN (Sistema Interligado Nacional) em equilíbrio diante das bruscas oscilações no consumo de energia provocadas pela partida.

Apesar do cenário desafiador, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) conseguiu conduzir a operação sem maiores problemas. Em comparação com um domingo típico, a carga do sistema registrou uma redução máxima de 16%. Às 18h30, quando o esperado seria uma demanda de 84.865 MW, o consumo ficou em apenas 71.686 MW.

O afundamento da carga começou antes mesmo de a bola rolar. A partir das 16h50, a demanda do SIN entrou em uma rampa de redução que totalizou 3.475 MW até os primeiros minutos da partida, refletindo a concentração da população diante das transmissões do jogo.

No intervalo, às 17h50, o comportamento se inverteu de forma abrupta. Em apenas 11 minutos, a carga aumentou cerca de 7.128 MW – o equivalente a ligar todo o estado de Minas Gerais. O movimento foi impulsionado pela retomada momentânea das atividades nas residências e estabelecimentos comerciais durante a pausa da partida.

Com o fim do jogo, às 19h04, a eliminação da seleção deu início a uma nova rampa de carga. Nos 30 minutos seguintes, a demanda cresceu mais 7.012 MW, equivalente ao consumo médio somado dos estados do Rio de Janeiro e Rondônia. A recuperação acompanhou a retomada das atividades típicas de um domingo à noite e, por volta das 20h30, o consumo voltou ao comportamento esperado para o horário.

A operação exigiu atenção redobrada do ONS porque a partida foi disputada justamente em um período naturalmente complexo para o sistema. Aos domingos, a carga já é inferior à observada nos dias úteis e, no fim da tarde, costuma iniciar uma trajetória de crescimento com o acendimento das luzes e o aumento do uso de equipamentos elétricos, como chuveiros. Durante o jogo, porém, essa elevação esperada praticamente desapareceu, concentrando-se apenas no intervalo e após o apito final.

Esse tipo de comportamento exige respostas rápidas da operação do sistema elétrico. Geração e consumo de energia precisam permanecer permanentemente equilibrados para manter a frequência da rede e evitar desligamentos inesperados.

Quando a carga diminui, o ONS reduz a geração, respeitando os limites técnicos de cada usina. Da mesma forma, quando a demanda cresce de forma acelerada, é fundamental que hidrelétricas e termelétricas estejam prontas para responder rapidamente, garantindo a estabilidade do SIN.

“Independentemente do resultado em campo, a missão do ONS permanece a mesma durante toda a Copa: garantir uma operação segura, confiável e coordenada do SIN. E, para o Operador, o desafio não terminou. Ainda temos jogos importantes em nosso radar, como as semifinais e a grande final, no dia 19 de julho. Em tempo real, continuaremos administrando esse cenário que exige observar carga e fontes de geração diversificadas em todo o Brasil”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, em nota à imprensa.

Você pode se interessar também

Brasil x Noruega: como o país europeu transformou sua matriz em uma das mais renováveis do mundo?

Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.

Wagner Freire
Sobre o autor
Wagner Freire

Wagner Freire é jornalista graduado pela FMU. Atuou como repórter no Jornal da Energia, Canal Energia e Agência Estado. Cobre o setor elétrico desde 2011. Possui experiência na cobertura de eventos, como leilões de energia, convenções, palestras, feiras, congressos e seminários.

Comentários

Os comentários são moderados antes da publicação

Os comentários devem ser respeitosos e contribuir para um debate saudável. Comentários ofensivos poderão ser removidos. As opiniões aqui expressas são de responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição do Canal Solar.

Deixe seu comentário

Canal Solar
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.