O sonho do hexacampeonato terminou de forma precoce na tarde do último domingo (5). A derrota do Brasil para a Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, encerrou a campanha da seleção e frustrou milhões de torcedores.
Enquanto o apito final decretava a eliminação em campo, outro jogo decisivo acontecia nos bastidores: o de manter o SIN (Sistema Interligado Nacional) em equilíbrio diante das bruscas oscilações no consumo de energia provocadas pela partida.
Apesar do cenário desafiador, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) conseguiu conduzir a operação sem maiores problemas. Em comparação com um domingo típico, a carga do sistema registrou uma redução máxima de 16%. Às 18h30, quando o esperado seria uma demanda de 84.865 MW, o consumo ficou em apenas 71.686 MW.
O afundamento da carga começou antes mesmo de a bola rolar. A partir das 16h50, a demanda do SIN entrou em uma rampa de redução que totalizou 3.475 MW até os primeiros minutos da partida, refletindo a concentração da população diante das transmissões do jogo.
No intervalo, às 17h50, o comportamento se inverteu de forma abrupta. Em apenas 11 minutos, a carga aumentou cerca de 7.128 MW – o equivalente a ligar todo o estado de Minas Gerais. O movimento foi impulsionado pela retomada momentânea das atividades nas residências e estabelecimentos comerciais durante a pausa da partida.
Com o fim do jogo, às 19h04, a eliminação da seleção deu início a uma nova rampa de carga. Nos 30 minutos seguintes, a demanda cresceu mais 7.012 MW, equivalente ao consumo médio somado dos estados do Rio de Janeiro e Rondônia. A recuperação acompanhou a retomada das atividades típicas de um domingo à noite e, por volta das 20h30, o consumo voltou ao comportamento esperado para o horário.
A operação exigiu atenção redobrada do ONS porque a partida foi disputada justamente em um período naturalmente complexo para o sistema. Aos domingos, a carga já é inferior à observada nos dias úteis e, no fim da tarde, costuma iniciar uma trajetória de crescimento com o acendimento das luzes e o aumento do uso de equipamentos elétricos, como chuveiros. Durante o jogo, porém, essa elevação esperada praticamente desapareceu, concentrando-se apenas no intervalo e após o apito final.
Esse tipo de comportamento exige respostas rápidas da operação do sistema elétrico. Geração e consumo de energia precisam permanecer permanentemente equilibrados para manter a frequência da rede e evitar desligamentos inesperados.
Quando a carga diminui, o ONS reduz a geração, respeitando os limites técnicos de cada usina. Da mesma forma, quando a demanda cresce de forma acelerada, é fundamental que hidrelétricas e termelétricas estejam prontas para responder rapidamente, garantindo a estabilidade do SIN.
“Independentemente do resultado em campo, a missão do ONS permanece a mesma durante toda a Copa: garantir uma operação segura, confiável e coordenada do SIN. E, para o Operador, o desafio não terminou. Ainda temos jogos importantes em nosso radar, como as semifinais e a grande final, no dia 19 de julho. Em tempo real, continuaremos administrando esse cenário que exige observar carga e fontes de geração diversificadas em todo o Brasil”, afirma o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, em nota à imprensa.
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