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Brasil só expandirá o setor de energia com o consumidor no comando

Ao Canal Solar, Raphael Ruffato, CEO da Lead Energy, falou sobre a importância da abertura do Mercado Livre e a atuação da empresa no mercado

Autor: 2 de março de 2023Entrevistas
6 minutos de leitura
Brasil só expandirá o setor de energia com o consumidor no comando

Raphael Ruffato, CEO da Lead Energy. Foto: Divulgação

Não é novidade para ninguém que o setor de energia vem se tornando um dos mercados mais promissores do Brasil, com diversas tecnologias e regulações sendo aprimoradas ao longo dos últimos anos.

De um tempo para cá, uma das mudanças mais aguardadas e que promete impactar diretamente o setor de energia é a abertura do Mercado Livre para todos os tipos de consumidores, desde as grandes empresas até os pequenos consumidores.

Atualmente, a proposta prevê a abertura para todos os clientes do Grupo A, atendidos pela alta tensão, para janeiro de 2024. Já a abertura para a baixa tensão, que engloba os consumidores menores, está sendo discutida pelo MME (Ministério de Minas e Energia), e a previsão é que aconteça até 2028.

No Brasil, uma das startups que vem se preparando para essa mudança é a Lead Energy, que, no final de janeiro, realizou a primeira edição do Energy Innovation Day, um encontro que reuniu empresas para discutir as alterações nos processos e quais as soluções de problemas que devem surgir no caminho.

Em entrevista ao Canal Solar, Raphael Ruffato, CEO da Lead Energy, comentou sobre a abertura do Mercado Livre de Energia e destacou a importância que o desenvolvimento e a criação de novas tecnologias têm para o crescimento do setor brasileiro. Confira abaixo os principais trechos da entrevista!

Quais são as expectativas da Lead Energy para o setor de energia solar em 2023?

Eu acredito que a energia solar tem um espaço muito grande de crescimento mesmo com a Lei 14.300, porque a cobertura da fonte no país ainda é muito tímida em relação ao seu potencial e sempre existirão alternativas para manter o mercado aquecido, como, por exemplo, a chegada de tecnologias cada vez mais eficientes. 

Por causa disso, espero para 2023 mais um ano muito bom para o setor de energia solar, principalmente, para aquelas empresas que conseguirem saber identificar para qual perfil de cliente a tecnologia fotovoltaica faz sentido.

Como funciona a atuação da Lead Energy no mercado de energia solar?

A Lead Energy é uma startup que foca primeiro na dor do cliente para depois oferecer a melhor solução. Temos um sistema no qual o cliente coloca a conta de luz e a plataforma faz a leitura de todos os dados para que depois, em segundos, identifique como e quanto esse cliente vai economizar.

Isso é importante porque cada tipo de cliente tem um perfil que precisa ser identificado, já que dependendo do caso vale mais a pena contratar um determinado tipo de solução ao invés de outro. Se é um cliente de baixa tensão, ele tem um tipo de perfil e se é média tensão tem outro tipo de perfil.

Ou seja, a atuação da Lead Energy funciona de uma forma agnóstica, por meio de uma plataforma onde o cliente sozinho pode obter todas as informações do projeto simplesmente pegando a sua conta de luz (em PDF), anexando ao nosso sistema e recebendo um diagnóstico gratuito com todos os problemas que tem na conta dele e quais são as melhores oportunidades.

E a Lead Energy pretende expandir essa plataforma? Ela já pode ser acessada por todos os consumidores?

A gente trabalha com clientes com contas (de luz) acima de R$ 5 mil e que, por enquanto, estão no sudeste do país. No meio do ano, vamos atender a demanda de praticamente todo o Brasil.

É importante destacar que para 2023 o nosso objetivo é desenvolver uma camada digital para esse projeto, onde o cliente pode assinar o serviço e acompanhar o andamento da implantação das melhorias contratadas. É tipo Nubank, onde o cliente faz tudo pelo celular e de forma digital.

Se isso já é uma realidade para os bancos, por que o cliente não pode aderir ao Mercado Livre, fazer uma estimativa de energia solar com base na área disponível que ele tem ou até mesmo contratar uma recuperação de imposto e saber como está o andamento dessa contratação? O nosso objetivo é, justamente, fazer com que o cliente possa gerir esse trabalho.

O senhor comentou sobre a abertura do mercado livre. Soubemos que recentemente a Lead Energy realizou um evento para falar também sobre esse tema. Nesse sentido, quais são as perspectivas do mercado brasileiro com relação a abertura deste novo mercado?

O evento que fizemos foi provocativo, justamente para trazer para o consumidor e às empresas um questionamento sobre a necessidade de uma mudança de mindset. O setor de energia foi muito bem planejado ao longo dos anos, mas precisa de uma nova filosofia para crescer, principalmente, pensando no lado consumidor que ainda é tratado como apenas um mero cliente. 

Outra grande provocação que fizemos durante o encontro foi com relação a abertura deste mercado, que só vai acontecer daqui cinco anos. Por que isso? Por que o mercado ainda precisa se preparar por tanto tempo? Se amanhã surgisse uma determinação, obrigando a abrir o mercado livre daqui um ano, você acha que a gente não daria um jeito de se adaptar?

Quando veio a pandemia a gente deu um jeito. Não deu? Todo mundo acabou tendo que trabalhar de forma remota e as empresas se reinventaram e grande parte delas conseguiram trabalhar. A vida continuou! Então, na minha avaliação, cinco anos para a abertura do mercado livre é muito tempo. 

O Brasil só vai conseguir expandir e ajudar o setor de energia – que hoje tem um custo anual de R$ 330 bilhões por ano para o consumidor – se houver tecnologia e nós da Lead Energy acreditamos muito que vamos conseguir desenvolver um produto que vai ajudar o consumidor a estar no comando e ele mesmo gerar sua proposta e acompanhar todos os processos. 

As empresas que não estiverem ligadas nisso e não entenderem que os consumidores como responsável por tudo tem grande chances de ficar para trás. Para mim, quanto mais empresas estiverem pensando em modernizar tecnologias, mais cedo vamos conseguir amadurecer esse mercado.

Henrique Hein

Henrique Hein

Jornalista graduado pela PUC-Campinas. Atuou como repórter do Jornal Correio Popular e da Rádio Trianon. Acompanha o setor elétrico brasileiro pelo Canal Solar desde fevereiro de 2021, possuindo experiência na mediação de lives e na produção de reportagens e conteúdos audiovisuais.

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