Enquanto Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29) pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, uma curiosidade pouco conhecida fora do setor elétrico chama atenção: o país asiático opera um dos sistemas elétricos mais peculiares do planeta.
Diferentemente da maioria dos países, que utilizam uma única frequência elétrica em todo o território nacional, o Japão mantém dois padrões distintos de operação. A região leste do país funciona a 50 Hz, enquanto a oeste opera a 60 Hz, exigindo a utilização de estações conversoras para permitir a troca de energia entre as duas regiões.
A divisão remonta ao final do século XIX, quando empresas japonesas importaram equipamentos elétricos de fornecedores diferentes. Enquanto Tóquio adotou equipamentos alemães de 50 Hz, Osaka optou por máquinas norte-americanas de 60 Hz. Mais de um século depois, essa decisão histórica continua influenciando a operação do sistema elétrico japonês.
Renováveis ganham espaço, mas térmicas ainda lideram
Apesar dos avanços da transição energética, o Japão ainda depende fortemente de usinas termelétricas para garantir a segurança do abastecimento. Segundo dados oficiais do ano fiscal de 2024, as fontes renováveis responderam por cerca de 23% da geração elétrica do país, enquanto as usinas térmicas mantiveram participação de aproximadamente 67,5% na matriz elétrica japonesa.
A dependência de combustíveis fósseis aumentou após o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, quando grande parte do parque nuclear japonês foi desligada. Desde então, o país busca ampliar gradualmente a participação das fontes renováveis, sem comprometer a confiabilidade do sistema.
Potência solar em território limitado
Mesmo com limitações territoriais, o Japão figura entre os principais mercados solares do mundo, conforme dados do relatório Solar Power Europe deste ano. O país possui uma das maiores densidades de capacidade fotovoltaica instalada por quilômetro quadrado entre as grandes economias globais.
Esse crescimento foi impulsionado por políticas de incentivo implementadas após Fukushima e pela necessidade de reduzir a dependência energética externa. Além da geração distribuída, o Japão também investe em usinas solares flutuantes e em soluções para maximizar a utilização de áreas urbanas e industriais.
O futuro passa pela perovskita
Uma das principais apostas tecnológicas do Japão para a próxima década está nas células solares de perovskita. Por serem leves, flexíveis e potencialmente mais baratas, essas células são vistas pelo governo japonês como uma alternativa estratégica para ampliar a geração solar em áreas onde os módulos convencionais enfrentam limitações estruturais.
O governo destinou 49,8 bilhões de ienes para apoiar o desenvolvimento e a industrialização dessa tecnologia. Recentemente, o país também reafirmou sua meta de elevar a participação das fontes renováveis para algo entre 40% e 50% da matriz elétrica até 2040, com foco no armazenamento de energia e na modernização das redes elétricas.
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