A vitória da Seleção Brasileira por 3 a 0 sobre a Escócia, na última quarta-feira (24), voltou a demonstrar como grandes eventos esportivos influenciam diretamente o comportamento do consumo de energia elétrica no Brasil.
Além da reestreia de Neymar Jr. após quase três anos afastado da equipe nacional, a partida provocou uma redução máxima de 14,4% na carga do SIN (Sistema Interligado Nacional), exigindo atenção especial da operação do sistema elétrico.
De acordo com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a carga de referência para o horário era de 91.068 MW. No entanto, durante o jogo, a demanda caiu para 78.350 MW, uma diferença de 12.718 MW.
Efeitos começaram antes do apito inicial
Embora a partida tenha começado às 19h, os reflexos sobre o consumo de energia foram percebidos ainda antes da bola rolar. Às 18h25, o ONS registrou uma redução de aproximadamente 7.000 MW na carga do SIN, volume equivalente à carga média do estado de Minas Gerais.
Segundo o operador, esse movimento é comum em partidas da Seleção Brasileira. Cerca de duas horas antes do início dos jogos, atividades industriais, comerciais e de serviços começam a ser interrompidas devido ao deslocamento das pessoas para acompanhar o evento esportivo, dando início a uma trajetória de queda no consumo de energia.
No momento do início da partida, o afundamento da carga atingiu 9.058 MW, valor equivalente à soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e Pará.
Intervalo gera forte recuperação da carga
Se durante o jogo a demanda cai rapidamente, o intervalo costuma produzir o efeito oposto. Às 19h53, durante a pausa entre o primeiro e o segundo tempo, o ONS registrou uma rampa de carga de 5.632 MW em apenas nove minutos.
O fenômeno é explicado pela movimentação simultânea de milhões de consumidores que aproveitam o intervalo para realizar atividades domésticas, como utilizar eletrodomésticos, preparar alimentos ou tomar banho, provocando uma elevação abrupta da demanda.
Após o apito final, o comportamento se repetiu em escala ainda maior. Às 21h, a carga do sistema avançou 8.856 MW em apenas 18 minutos, volume equivalente à soma das cargas médias dos estados do Paraná e da Bahia.
Planejamento especial
O padrão observado durante a partida reforça a importância do planejamento operacional realizado pelo ONS em eventos esportivos de grande audiência. O operador desenvolve estudos específicos para antecipar as variações de carga e garantir que o sistema elétrico responda de forma segura às oscilações de demanda.
De acordo com o ONS, a redução da carga normalmente se intensifica até o final do primeiro tempo. Já no intervalo e após o encerramento da partida, ocorrem rampas rápidas de crescimento da demanda, exigindo respostas coordenadas da operação do sistema.
“Durante esses jogos, é comum que o país pare, o que tem um impacto direto na operação do SIN. Mas estamos preparados para garantir uma resposta segura e confiável durante a competição, assegurando que o sistema responda adequadamente às variações de demanda da sociedade. Este trabalho reforça nossas ações de planejamento, monitoramento e atuação preventiva”, afirmou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
O comportamento registrado durante Brasil x Escócia confirma, mais uma vez, como grandes eventos esportivos continuam sendo capazes de alterar significativamente o perfil de consumo de energia no país, exigindo monitoramento permanente e ações preventivas para manter a confiabilidade do sistema.
Você pode se interessar também
Todo o conteúdo do Canal Solar é resguardado pela lei de direitos autorais, e fica expressamente proibida a reprodução parcial ou total deste site em qualquer meio. Caso tenha interesse em colaborar ou reutilizar parte do nosso material, solicitamos que entre em contato através do e-mail: redacao@canalsolar.com.br.